CRÔNICAS

Carta-resposta ao Flávio Rachadinha, presidente home office do Brazil dos EUA

Em: 30 de Outubro de 2026 Visualizações: 349
Carta-resposta ao Flávio Rachadinha, presidente home office do Brazil dos EUA

“Saudações. Escrevo esta carta / Não repare os senões / Para dizer o que sinto, longe de ti”.

(A Carta. Waldick Soriano. 1964).

Brazil, 29 de outubro de 2026

Sr. Flávio Nantes Bolsonaro, vulgo Flávio Rachadinha

Autoproclamado “verdadeiro presidente eleito do Brasil”

Saudações

Unloved Small Crack

Peço desculpas a teus eleitores pudibundos, mas o tema está a exigir o uso de vocabulário vulgar. Foi uma cagada epistolar a tua carta postada nos Estados Unidos depois de fugir do Brasil. É possível medir o peso eleitoral dessa diarreia lexical? Sim, usando o método Djewry Power do meu primo Geraldo, a única pessoa no mundo que, sem querer, mensurou o peso do próprio peido. Foi assim.

Ele controlava diariamente seu peso numa balança caseira de bioimpedância de alta precisão. Um dia, ao descer dela, soltou um peido longo e sonoro, ruidoso como um motor de popa ou “rabeta”. Taninha, sua amada, censurou com um grito:

- Geraldoooooo!

Imediatamente ele subiu de novo na balança e verificou que seu peso havia diminuído 418 gramas. Descobrimos que tal método permite calcular também o peso das cagadas eleitorais cometidas com margem de erro de 2% para mais ou para menos e avaliar se elas conquistaram ou afastaram os eleitores. Senão vejamos. Você saiu na frente do Lula no primeiro turno com uma diferença de 3.721.538 votos e começou a escolher os ministros. No entanto, foi desidratando nos debates. Quando abria a boca era como se destampasse o fiofó. Só saía merda, com o perdão da palavra.

Você debochou chamando teu opositor de 9 dedos; ficou encurralado com a proteção ao teu amigo policial que matou com um tiro de fuzil Ana Clara, de 5 anos; calou sobre teu projeto de retirar a identificação das balas; enrolou para não abrir sigilo bancário e telefônico; admitiu ter votado contra a licença maternidade; zombou dos nordestinos na postagem fake do Nikolas Chupetinha; qualificou  paraenses de fedorentos; desconversou sobre a grana repassada por teu “irmão” Vorcaro para manter na Flórida o irmão biológico Dudu Bananinha. Diante das provas de ter sido “usuário master” da conta consulta com teu operador financeiro Willer Tomaz, você desconversou: I don´t know. Só sei que vou meter na cadeia ladrão de celular e castrar estupradores. 

Oh, my God

Quantos votos perdidos? O peso de tua caganeira pode ser aferido pela virada do Lula com quase 5 milhões de votos de diferença no segundo turno. Infelizmente teu amigo Kassio Nunes (o KN), presidente do TSE, não permitiu um terceiro turno para podermos computar a perda causada agora por tua carta, que traz papel timbrado com o brasão antigo, no qual se exibe o nome “Estados Unidos do Brazil” adotado com a Proclamação da República, em 1889, inspirado no modelo federativo do Estados Unidos da América (EUA).

Brother, a tua marcha a ré foi de tal monta, que sequer levou em conta o Acordo Ortográfico de 1931, quando Brasil passou a ser grafado com “s”. Desconsiderou até a mudança feita pela ditadura empresarial-militar que rebatizou o nosso país de República Federativa do Brasil na Constituição de 1967. Para puxar saco, você reintroduziu simbolicamente os EUA no brasão, mas com troca de lugar. Ficou assim: Brazil dos Estados Unidos.  Aqui a ordem dos fatores altera o produto, envolvendo a entrega das terras raras e o pix, de forma subserviente ao Trump, que te acolheu em seus braços.

Para quem enganou os patriotários dizendo que nossa bandeira nunca seria vermelha, você simbolicamente incluiu na proposta de brasão a bandeira vermelha, azul e branca dos Estados Unidos. Dessa forma, abdicou da nossa soberania inspirado na frase de Juracy Magalhaes, ministro das Relações Exteriores da ditadura. que teu pai servil tão bem serviu: “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”.

Quando vi tamanho retrocesso, gritei:

- Oh my God, why do you sempre me phode?

Presidente home office

Anunciado antes como "o candidato da mudança", na primeira versão da carta você se autoproclama “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, denunciando fraude sem qualquer prova. Decidiu que presidirá o Brazil dos Estados Unidos, num caso único de “presidente home office”, copiando Dom João VI que, do Rio de Janeiro, governou Portugal. O insuspeito presidente do TSE, o KN, te deu um chega-pra-lá. Diante da repercussão negativa, a carta golpista divulgada em coautoria com teu aliado Paulo Figueiredo, neto do ditador general Figueiredo, foi modificada. Deposto do cargo de “presidente eleito” antes mesmo de tomar posse, na nova versão da carta, você assumiu o posto autodeclarado de “líder do Brasil”.  E bota líder nisso. A emenda foi pior que o soneto. 

Você agradece ao Trump e ao Milei por ajudarem na tua fuga e declara que vai comandar dos EUA a oposição ao governo Lula. O novo comandante da direita, Tarcísio de Freitas, governador de SP, puxou tua orelha e mandou que olhasses pra frente. A comparação tua com Rui Barbosa foi ridicularizada. Se tivesses nascido na gloriosa Bahia, serias um natimorto tal qual tua proposta derrotada de Brazil dos Estados Unidos. Gilberto Gil cantou “o pau que nasce torto, não tem jeito, morre torto.  Baiano Burro garanto que nasce morto”.  Nem teu ídolo Donald Trump comprou tua tese.

Nos EUA haverá eleição no dia 3 de novembro para renovar o Congresso. Lá, na campanha eleitoral, os democratas estão explorando o fato de o Trump estar acolhendo um trânsfuga que está sendo investigado no Brasil por crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. É quase certo que as cagadas levaram à tua derrota aqui e agora  ao fracasso do Trump lá.  

A justificativa dada para tua fuga – dizes na carta – é a falta de liberdade no Brasil e a ditadura do STF. Fujão mentiroso. Isso é um total desrespeito aos teus eleitores, tratados como se fossem burros, mas existem milhões deles que são inteligentes e começam a descobrir que foram enganados por um miliciano, que os abandonou à própria sorte e agora posa de exilado, atualizando, por via tortuosa, o slogan da ditadura: “Brasil, ame-o ou deixe-o”.   

Am you or day she you

Você, Rachadinha, que não ama o Brasil, fugiu de um país onde existe democracia. Não estava ameaçado de tortura, de prisão arbitrária ou de morte - práticas da ditadura militar, que você defende - quando milhares de brasileiros deixaram o país para não serem mortos. A falsidade do general Leônidas Pires, chefe do DOI-CODI se aplica agora a você como uma verdade: “Não tivemos exilados no Brasil. Tivemos fugitivos covardes”.

O jornalista Octávio Guedes foi cirúrgico ao destacar que você fugiu de um país tão democrático, que teu irmão 02 e tua madrasta acabam de ser eleitos senadores, teu tio e teu outro irmão (04) foram eleitos deputados federais, o teu Partido (PL vixe vixe) tem maioria na Câmara e no Senado, além de eleger seis governadores.  O país do qual te pirulitas acaba de te dar quase 60 milhões de votos. Então, porque fugir da luta, se aqui vigora a liberdade de imprensa e os indiciados por crimes têm direito à ampla defesa. Guedinho afirma que você está fugindo de uma democracia e pergunta: Por que? Por que não se defender, como fez o Lula, para provar tua inocência? 

⁠⁠Guedes responde, com razão, que você fugiu do acerto de contas com a Justiça, porque sabe que cometeu crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Tem culpa no cartório.

Te manca, te orienta e te observa, cara. Teu discurso delirante evidencia que, além de babaca, tu pensas que teus eleitores são babacas. És motivo de chacota dos teus próprios aliados, que começam a te abandonar. Não é verdade, Tarcísio?  Estou mentido Valdemar Costa Neto? O Brasil inteiro está rindo de ti, da mesma forma que o mundo zombou do Juan Guaidós.

Unloved Small Crack, para sobreviver em Miami como fugitivo da Justiça brasileira, não precisarás vender hamburguer em sociedade com teu irmão Dudu Bananinha em regime de 6 x 1. Tu e ele viverão nababescamente com a grana do teu “irmão” Vorcaro e do teu operador financeiro Willer Tomaz, com quem mantiveste conta conjunta como “usuário master” em movimentações milionárias

Podes continuar escrevendo cartas no mundo dos gringos, escolhendo brasões do século XIX e te autoproclamando líder de um país que não te elegeu para isso. Mas há uma coisa que nem Trump, nem Milei, nem teu irmão Vorcaro podem resolver: a conta chega. E, quando chegar, não adianta pedir anistia postal, alegar perseguição política ou tentar mudar o endereço do remetente. A Justiça brasileira não trabalha em regime de home office para investigados.

Meu caro, depois de tanta cagada, o método Djewry Power mostra que a balança eleitoral já registrou a tua perda de milhões de eleitores. Falta agora saber o peso das outras contas.

P.S.1 – Eu pretendia contar histórias de alguns fieis eleitores de Lula: dona Irene Souza, mineira de Ibitiguaia (MG), que aos 10 anos mudou com a família para Juiz de Fora e, aos 81 anos, partiu para a Terra Sem Males Guarani. Havia selecionado histórias de algumas netas e netos que convenceram seus avós a irem às urnas para eleger Lula presidente. No entanto, a Carta do Rachadinha me levou para outro rumo. Sempre haverá nova oportunidade.

P.S. 2 – A Carta é cantada em “Waldick, Sempre no Meu coração”. Filme de Patrícia Pillar (2008), essa sim uma obra de arte, que não contou com o “patrocínio” do Vorcaro.

Ver também: O exílio: um filho teu fugiu à luta. https://www.taquiprati.com.br/cronica/857-o-exilio-um-filho-teu-fugiu-a-luta?reply=288

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