CRÔNICAS

Bozo, Milei, Trump: Lixo político - reciclável ou rejeito?

Em: 10 de Novembro de 2025 Visualizações: 985
Bozo, Milei, Trump: Lixo político - reciclável ou rejeito?

 

Autor: Geraldo Lopes de Souza Júnior

 

Não há coleta seletiva para consciência suja.”

(A frase é minha, mas o crédito moral é do Zé Povão — que vive varrendo as cagadas dos políticos)

 

Caboco, um leitor atento — desses que não só lê, mas mastiga o texto pra sentir se o gosto é bom de verdade — me escreveu na última crônica: “É possível reciclar o lixo político formado por parlamentares e governadores pilantras?”

Confesso que a pergunta me fez rir, pensar e quase chorar — tudo junto, como quem encontra um tapuru vivo dentro da tigela de açaí.

Porque, veja bem: se fosse fácil reciclar pilantragem, o Brasil já seria uma Suécia tropical — com samba no ponto de ônibus e sanduiche x-caboquinho com ética no recheio.

Mas lixo político, mano velho, não é igual a lixo comum.

Latinha de alumínio vira nova lata; papel sujo ainda pode virar rascunho; garrafa PET pode virar vassoura; até pneu velho pode virar balanço de parque.

Mas político desonesto, quando “reciclado”, volta com crachá novo, cargo novo e a mesma alma apodrecida. Vira assessor, secretário, ministro, presidente — versão 2.0 do mesmo descarte tóxico.

E o pior é que o povo ainda aplaude, achando que mudou o material, quando só trocaram a embalagem.

Tem gente que diz que a solução é “educação política”. Concordo.

Mas lembro que até o lixo reciclável precisa ser lavado antes.

E o que a gente tem feito é o contrário: mistura tudo — ética com mentira, discurso com cinismo, promessa com propina — e entrega a coleta pra quem nunca pagou o imposto da vergonha.

O brasileiro aprendeu a separar vidro e papel, mas ainda mistura voto e ilusão.

No lixo doméstico, a cor da lixeira muda; no lixo político, muda o partido.

E o cheiro, ah caboco... o cheiro continua o mesmo.

Talvez a reciclagem que precisamos não seja dos políticos, mas do eleitorado — começando por nós mesmos.

Como dizia a jovem dona de casa Priscila Brelaz:

“O lixo que mais demora a sair é o que a gente acostuma a não ver.”

Enquanto isso, seguimos varrendo a calçada do país, tentando separar o que ainda presta do que fede demais.

E, quem sabe, um dia, quando o Brasil aprender a fazer coleta seletiva de caráter, o lixo político vire adubo — e a gente volte a acreditar que o futuro pode florescer sem precisar de trator militar nem pesticida ideológico.

Caminhão do lixo

Caboco, já que o papo é de reciclagem, bora fazer o que o povo devia fazer nas urnas: separar o lixo. Porque nem todo lixo é igual — tem o que fede, o que contamina e o que parece limpo, mas apodrece por dentro.

Tem o lixo inflamável, aquele que pega fogo fácil com discurso de ódio. É o dos que dizem “bandido bom é bandido morto”, mas nunca pisaram num beco de favela. São os que transformam a dor do povo em voto e a violência em política pública. Wilson Lima, no Amazonas e Cláudio Castro, no Rio, conhecem bem essa categoria: governam com farda, helicóptero e estatística adulterada, enquanto as mães choram os filhos sem nome.

Tem também o lixo radioativo, aquele que continua emitindo veneno por anos. É o dos que confundem fé com franquia e transformam Deus em slogan de campanha. Damares e Nikolas são dessa turma: falam em pureza, mas vivem de espalhar medo e culpa. Defendem “a família” enquanto a deles é bancada com dinheiro público e assessores fantasmas.

Já o lixo orgânico em decomposição é o mais perigoso: o que já foi poder, perdeu o brilho e agora fermenta ressentimento. Bolsonaro, Salles, Moro, Tarcísio, Abílio — todos tentam se reembalar como “novos produtos”, mas o cheiro entrega o prazo de validade. São os que venderam floresta, trocaram vacina por propina, rasgaram direitos e ainda posam de patriotas de palanque. O mesmo grupo que chamou genocídio de “missão” e corrupção de “erro administrativo”.

E tem, por fim, o lixo reciclável de ilusão, aquele que a gente insiste em reaproveitar achando que vai dar certo.

É o eleitor que continua votando no mesmo saco, esperando que o milagre venha na próxima coleta.

Esse é o que mais dói, caboco — porque nele a sujeira é coletiva.

Separar o lixo político é reconhecer que o problema não está só no que ocupa o poder, mas também no que a gente ainda tolera, justifica e normaliza.

Enquanto não aprendermos a lavar a consciência antes de depositar o voto, o caminhão da história vai continuar recolhendo o mesmo lixo — só que com etiqueta nova.

O ópio do povo

E não é só na política que o lixo se acumula, caboco — a fé também entrou no saco errado.

Nunca se falou tanto em “Deus, pátria e família” — e nunca se viu tanto ódio, mentira e abandono travestidos de fé.

Putin se benze antes de bombardear hospitais; Netanyahu cita a Torá enquanto Gaza vira cemitério; Xi Jinping fala em harmonia e apaga povos inteiros; Trump promete liberdade e promove a opressão; Maduro transforma pão em privilégio e voto em peça de museu; Milei grita contra o Estado enquanto o povo grita por pão.

O mundo virou do avesso: o discurso de paz virou munição, e a fé virou moeda.

E aqui, parente, o milagre é outro.

Tem pastor que grita por “liberdade” enquanto abençoa fuzil.

Tem deputado que agradece “em nome de Deus” por chacina em favela.

Tem juiz que prende diz-que em nome da justiça e depois se elege em nome da impunidade.

E tem governador que chama de “baixa do crime” o que é extermínio do povo pobre.

Tu conheces os nomes: Bolsonaro, Nikolas, Damares, Salles, Wilson Lima, Cláudio Castro, Moro, Tarcísio, Abílio, Marçal, Bilynskyj...

Todos santos de púlpito e planilha — com a Bíblia numa mão e a bala na outra.

Foram eles que deixaram morrer Yanomamis famintos, trocaram vacina por propina e floresta por boi.

Que chamaram execução de “operação”, fome de “preguiça” e ódio de “valores cristãos”.

E o povo, caboco? Continua tateando entre promessas: de um lado, Lula remendando esperança com fio velho; do outro, Michelle e os filhos do Messias pregando moral em live.

Mas milagre mesmo seria ver ética no poder.

Porque o problema não é dizer “Deus acima de tudo” — é esquecer que Deus também está na parte de baixo: no chão, nas vítimas, nos pobres, nos indígenas, nos que não têm holofote nem helicóptero.

Se Jesus voltasse hoje, talvez o expulsassem do plenário por “atentado à moral e aos bons costumes”.

O Cristo que abraçava leprosos não caberia num país onde a fé virou patente e a piedade, pauta.

Por isso, quando ouço um político gritar “em nome de Deus!”, eu já me benzo — mas de susto.

Porque, se é em nome d’Ele que se mata, mente e governa com desprezo, é bom lembrar: o diabo também cita a Bíblia quando lhe convém.

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2 Comentário(s)

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Astrid Lima comentou:
14/11/2025
Com certeza não há nada para reciclar dessa gente , meu amigo Taquiprati
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Douglas Pôrto comentou:
10/11/2025
Fé demais essa política, pois são palavras antagônicas, Está primeiro contida nos costumes da comunidade. De repente a colocam como primeiro plano, aí desanda tudo, o mundo messiânico não dá conta das demandas sociais, apenas operam no "devo obedecer". Criando monstros e feudos eclesiásticos, que utilizam a fragilidade ou a leseira para interesse próprio. Por menos fé demais e mais politização do povo!
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