.Depois de um curto e luminoso inverno sem escrever, que durou vários meses, eis-me aqui, estou de volta pro meu aconchego, trazendo na mala bastante saudade:
- Volteeeeeeii! Aqui é o meu lugar! A minha emoção é grande, a saudade ainda é maior, eu voltei para ficar, ô, ô, ô!
Alô Mocidade Independente de Aparecida! Alô, meu povo do Beco da Bosta! Alô leitores do Taquiprati! Alô, meu ex-quase-cunhado Rube-Rôla! Olhai, gente! Atenção, bateria! A partir de hoje, todas as terças-feiras, nesta mesma página, ao lado do Gilson Monteiro e da Baby Rizzato, o nosso bloco vai estar novamente na rua, brincando e sentando a pua. Fica decretado, como regra geral, que toda terça-feira, é terça de carnaval.
“É melhor ser alegre do que ser triste, a alegria é a melhor coisa que existe, é assim como a luz no coraçãoããão!”
E agora, vamos lá, recitando e cantando o Samba da Benção do Vinícius de Moraes e Baden Powell, mudando apenas o pedido de bênção pela esconjuração do Taquiprati, com uma leve batida de violão ao fundo.
Samba da maldição
Taquiprocês, mamadores do Tribulins, conselheiros que não orientam, procuradores que não acham, auditores que não ouvem, servidores que não servem (e não prestam), vagabundagem ociosa do covil do Pê-fê-lê (vixe! vixe!).
Taquiprati Nissim Quinquênio Benoliel, tu que mensalmente embolsas um salário de marajá de mais de 30 mil reais, o suficiente para cobrir a folha de pagamento em empresa com 360 trabalhadores que ganham o salário mínimo. Por Deus, promotora Jussara, enquadre esse cara!
Para esse Marajá de mais de 22 mil reais mensais, Taquiprati, José Lins, tu que não és um só, és tantos, tantos parentes e afins, como são tantos os Lins, vorazes como cupins.
Taquiprati, José Lins, você que é sobrinho de Nonô Lins, irmão de Belarmino-tinha-uma-flauta e Átila Lins, tio, primo, cunhado, de tantos outros Lins, pendurados todos nas tetas do Tribulins. Promotora Jussara — por Deus! — enquadre esses caras!
Taquiprocês, ressarcidos municipais, espertalhões, aproveitadores, corruptinhos e corruptores, sanguessugas e chupadores do sangue anêmico do povo! Taquiprocês, que fingem ser aleijados, infartados, estropiados, de braços quebrados, gestantes, com três carreiras de dentes, vereadores com a saúde minada, pulando de CTI em UTI para obter pagamento de médicos que não medicaram, de exames que não examinaram, de operações que não operaram. Por Deus, Aloísio, Serafim e Vanessa, não permitam que o povo esqueça.
Taquiprati, Omar Abdel Aziz, ressarcido municipal, transformado em ressarcido estadual e louco para ser ressarcido federal. Taquiprati, Sílvio Cerqueira Bonfim, César Bonfim, Raimundo Furtado, Robério Braga e todos os vereadores que usaram recibos médicos, falsos ou verdadeiros, para encher os bolsos com dinheiro.
Taquipravocês, rompedores de lacres da Justiça Eleitoral, fraudadores de mapas, adulteradores de boletins, empreiteiros de urnas, compradores de votos e ladrões das esperanças do povo amazonense.
Taquiprati, Simone Araújo, contratada por 40 reais (dez a mais do que as 30 moedas pagas a Judas) para votar nove vezes em Joaquim Noves-fora-nada Corado do Pê-Erre-Pê (vixe! vixe! vixe!). Juiz Sabino, o senhor que é honrado, acerte o passo do Corado. Se a lei eleitoral permitisse voto contra para deputado, eu votaria útil contra o Abdel ou inútil contra o Corado.
Taquipra todos vocês, puxa-sacos do poder, bajuladores servis e alpinistas sociais! Cuidado! Montado no esquelético Rocinante, Taquiprati triunfante, volta cavalgando pelas pradarias esquecidas do bairro de Aparecida, registrando os humores de seus moradores.
Internacional
O nome dele, eu não sei. Só sei o apelido: “Internacional”! Parece até nome de hotel três estrelas de Itacoatiara. Mas é apelido de gente. Gente fina. Morador do bairro de Aparecida. Desfila com frequência pelo Beco da Bosta, trocando as pernas, como se estivesse no tombadilho de um navio, em alto mar, cambaleando, cheio de chá, com sua pingucidade.
Por falar em navio, o apelido “Internacional” foi dado pela canalha do bairro, que sempre acerta na mosca. É uma decorrência das histórias que ele conta. Fernão Mendes Pinto, Marco Polo, Cristóvão Colombo e Vasco da Gama são fichinhas na frente dele, que costuma narrar grandes viagens feitas. “Conheço o mundo todo” - diz, havendo dobrado inúmeras vezes o Cabo da Boa Esperança.
Costuma curar os porres na igreja de Aparecida durante a missa, respondendo aos berros às orações.
— Ele está no meio de nós — gritou, em altos brados, na semana passada. Disseram pra ele que dona Elisa conhecia a França, a Rússia e a Itália. O “Internacional” procurou puxar papo com ela em inglês, dentro da igreja, na hora da consagração. Parece que a conversa não andou muito longe porque a dona Elisa, que não suporta chirrados e pinguços, teria dado um esbregue nele, em russo, que como todo mundo sabe é uma língua cheia de sutilezas e delicadezas, uma língua tamancoviski e até mesmo pornografov.
Bolo de aniversário
Depois de amanhã, dia 23 de março, é bem capaz de o “Internacional” comparecer uma vez mais à missa, para ver se no final come o bolo feito pelas “meninas”. As “meninas” – é assim como dona Elisa chama as respeitáveis senhoras que, junto com ela, dão aulas de catecismo e preparam as crianças para a primeira comunhão. O bolo é em comemoração do aniversário de dona Elisa, que faz 78 anos nesta quinta-feira.
E o “Internacional” entrou nessa história como Pilatos no Credo, porque eu queria registrar aqui o aniversário dela, mas hesitei para não ser acusado de estar fazendo nesta coluna, no dia de sua reinauguração, o que os Lins fizeram com o Tribunal de Contas do Município (TCM): transformá-la num feudo familiar. Mas os leitores compreenderão.
Deixem-me, por favor, mandar um beijo pra minha “reinha”, deixem! Feliz Aniversário, dona Elisa.