De vez em quando, pesquisadores descobrem novas doenças ou inventam um nome novo para classificar velhos sintomas. O Hospital das Clínicas de São Paulo e a Universidade Federal do Rio de Janeiro estão estudando neste momento uma doença conhecida na área médica pela sigla TOC, que significa Transtorno Obsessivo-Compulsivo. Trata-se de um quadro ansioso, onde ideias e imagens indesejadas perseguem as pessoas, repetindo-se de forma obsessiva e causando grande angústia e estado de depressão.
São mais de 2 milhões de brasileiros — coitados! — que lutam contra esses fantasmas, sem poder estrangulá-los, com graves consequências no seu dia a dia. Alguns casos reais foram citados pela “Folha de São Paulo” do último sábado, em matéria assinada por A. Biancarelli:
- Roberto não conseguia tirar da cabeça a imagem de estar atropelando alguém. Esse fantasma insistente acabou obrigando-o a deixar de dirigir.
- Marília levantava-se várias vezes durante a noite só para checar se tinha fechado portas e janelas. Por isso, passou a sofrer de insônia.
- Rita, uma freira de 18 anos, sofria com a ideia recorrente de estar fazendo sexo com Jesus Cristo. Não conseguia rezar. Abandonou o convento.
- Um rapaz de 17 anos, cuja identidade foi preservada, não conseguia afastar do pensamento esta frase: “eu sou gay, eu sou gay”.
A “Folha” cita os tipos de transtornos mais comuns entre pacientes: mania de limpeza ou mania de doença, dúvidas e incertezas em atos do cotidiano (“será que eu desliguei o gás?”), ideias repugnantes ou obscenidades recorrentes e medo de ferir o outro ou de se autoagredir. Na maioria dos casos, o distúrbio se caracteriza pela necessidade quase incontrolável de repetir rituais, como fechar várias vezes as mesmas portas, janelas, torneiras, tubos de pasta dental, frascos de xampu, etc.
O coordenador do projeto, Luiz Armando de Araújo, declarou que a pesquisa sobre o comportamento dos obsessivos só pode prosseguir se contar com pacientes voluntários. Ele não descarta, mas no Amazonas existe um celeiro de “tocados”. Podemos supor que algumas “personalidades” da vida política e econômica do Amazonas podem estar entre os 2 milhões de brasileiros que sofrem de TOC. O empresário Paulo Girardi, por exemplo, é um “tocado” notório, que não esconde sua obsessão compulsiva: a imagem da Xuxa, que o persegue.
Xuxa’s News
Girardi é um paulista esperto do interior. Caipira pira-pora. Fez fortuna com o dinheiro que nós, contribuintes, passamos para o bolso dele, via Governo do Amazonas, através de obras sempre necessárias, quase nunca prioritárias, realizadas, bem ou mal — mais mal do que bem — por sua empreiteira Comagi, que sempre cobrou valores estratosféricos. Como prova de agradecimento por tanta generosidade, Girardi resolveu ser amazonense, assumindo da nossa identidade coletiva justamente aquilo que lhe deu mais lucro: a nossa leseira manauara.
Tornou-se um devoto fanático de Santa Etelvina, para quem acende velas com frequência. Vivo — vivíssimo — para questões que envolvem grana, ele é o que o nosso povo chama de “leso” ou “abestado” quanto ao resto. Todo o dinheiro que acumulou não foi suficiente para assassinar sua alma caipira exibicionista, dando-lhe, pelo menos, um discreto verniz cosmopolita. Não tem vergonha de assumir publicamente o seu transtorno obsessivo-compulsivo, com provincianas e folclóricas declarações de amor à Xuxa em dispendiosos outdoors.
Essa obsessão poderia até ser uma doença bonita e romântica, se fosse autêntica e criativa, como a tuberculose dos poetas do século passado, que cuspiam sangue, mas escreviam sonetos. Não é uma coisa nem outra. Girardi a usa para abrir espaços na mídia e desviar a atenção sobre o seu real papel no jogo político amazonense como ave de rapina que consome vorazmente os recursos destinados às obras públicas.
Agora mesmo, ele está constituindo um novo empreendimento na cidade: o “Jornal do Norte”. Em princípio, um novo jornal devia ser motivo de alegria, porque amplia o mercado de trabalho e pluraliza a informação, contribuindo para a democratização da sociedade. Lamentavelmente, não é assim. Girardi é um “tocado”. Achou insuficientes os outdoors para homenagear a Xuxa e agora quer um jornal – o “Xuxa’s News” – para continuar se exibindo. É outro TOC. Ninguém pode levá-lo a sério.
Existe denúncia sendo apurada, ainda sem provas, de que as máquinas e os equipamentos do “Xuxa’s News” foram adquiridos com milhões de dólares desviados de repasse feito pela Sudam, em 1992, para financiar projeto de expansão. Aí tem truta.
Dever de casa
Deixo para os leitores um dever de casa. Identifique os principais "tocados" do Amazonas, verifique quais são os TOCs das seguintes “personalidades” e envie as respostas para a redação deste jornal:
Euler Ribeiro, que se aposentou precocemente pelo Tribulins, alguns meses depois de sua nomeação, com polpudo salário.
Átila Lins, acusado de crime contra a administração pública, por ter colocado à disposição do Tribulins 29 funcionários que não tinham vínculo empregatício com a Assembleia Legislativa.
Ronaldo Tiradentes e seu diploma.
Lupércio Ramos e o projeto “Nega Maluca” ou “Toma que o filho é teu”.
Gilberto Miranda, o senador sem nenhum voto, acusado por José Afonso Assumpção, dono da Líder Táxi Aéreo, de “bombardear o Sivam porque não tem mais ninguém que dê grana para ele”.
P.S. 1 – A coluna registra o aniversário, no dia 18 de novembro, do leitor João Romão Rodrigues Neto. Ele é assistente de serviços gerais no Colégio Felipe Smaldone, uma espécie de quebra-galho, faz qualquer coisa, resolve qualquer problema. Maranhense, João Romão desenvolve, além disso, trabalho comunitário na periferia de Manaus, lá pelo lado do Monte das Oliveiras. Bem-humorado e gozador, João Romão, a quem não conheço, enviou o seguinte recado: “bota o meu nome no jornal, bota”. Taí. Botei.
P.S. 2 – Gente, é com o maior orgulho que registro o comportamento combativo do vereador Leonel Feitosa. Com orgulho, porque era esse o Leonel que a gente queria: comprometido com as causas populares. Esse é o verdadeiro sobrinho da Cleomar, da Dagmar, da Lucimar, que com suas vozes enchiam de alegria a igreja de Aparecida. Dizem que ele está fazendo isso só porque quer votos. Quem dera que todos os políticos procurassem votos abraçando os reais interesses da coletividade. Vai fundo, Leonel. (Se o Lupércio deixar de espancar os meninos-de-rua, a gente elogia o Lupércio também).