CRÔNICAS

Colégio Estadual do Amazonas: quem desaba somos nós

Em: 01 de Setembro de 2025 Visualizações: 6309
Colégio Estadual do Amazonas: quem desaba somos nós

              

 

       “Ah! Tempo, tempo malvado, / tempo, você me enganou”.

(Farias de Carvalho. Baú Velho, 1957)

Toca o telefone. É de Manaus. Ouço gemidos? A voz embargada do médico Ivan Meneghini atravessa mais de 4 mil quilômetros e chega a Niterói carregada de tristeza:  

- O nosso Ginásio Amazonense está desmoronando.         

Fez-se um silêncio ensurdecedor. É compreensível. Falar o quê? Dói. Afinal, foi lá no Colégio Estadual do Amazonas (CEA), com mais de 150 anos, que ambos cursamos, ele o Científico, eu o Clássico. Criado em 1869 como Lyceu e depois Gymnásio Amazonense Pedro II, o prédio de estilo neoclássico inaugurado em 1886 exibe fachada simétrica, frontão triangular e imponente pórtico em cantaria de pedra de Lioz. Tombado como patrimônio histórico do Amazonas em 1988, agora agoniza.

Já seria crime inominável deixá-lo em ruínas: escadas, assoalho, janelas e esquadrias de madeira apodrecidos, livros danificados por goteiras na biblioteca, rede hidráulica e elétrica em pandarecos, riscos de incêndio, sanitários entupidos, paredes descascando, cupins no porão, mato e erva daninha na fachada e no teto que ameaça desabar. Mas o mais grave é que seu valor não é apenas material, vale mais porque guarda tesouro imaterial: as digitais de inúmeras gerações de professores, alunos, bedéis, inspetores, zeladores, faxineiros.

Quantas histórias narradas pelo prédio, que arquiva “lembranças tatuadas nos olhos do tempo”, como cantou o poeta Farias de Carvalho, nosso professor de literatura. Da mesma forma que para Flaubert “Madame Bovary c´est moi”, o Colégio Estadual sou eu e todos que por lá passaram.  Quem desaba com ele somos nós.

Lugar de memória

Foi palco de eventos artísticos, torneios esportivos, festas juninas, quermesses, formaturas, trotes, desfiles cívicos com farda de gala e banda marcial, que lhe conferiram uma aura simbólica. Salas, escadas e corredores guardam afetos, emoções e recordações de convivência, que tecem nossa identidade coletiva. No conceito do historiador francês Pierre Nora, o prédio é “lugar de memória”, uma entidade viva e que, no caso, agoniza e pode sepultar com ele nossas saudades indormidas, nossos “sonhos alados" e os vestígios de nossos passos.

- Dos passos que foram dados, nem marcas restam no chão – lamenta o poeta Ernesto Penafort, que entrou sorrateiramente no meu sonho.

Depois de insônia causada pelo telefonema do meu cunhado, sonhei de olhos abertos que, munido da espada do quinto mosqueteiro, subia as escadarias do CEA. Lá dentro, o “poeta do azul”, o ex-ginasiano Penafort, me serviu de guia. Cruzamos com fantasmas. Não eram assombrações, mas espectros do bem, sombras envoltas em nuvem de vapores densos pertencentes a diferentes gerações, que viveram anos fundamentais de suas vidas naquela que, durante décadas, foi a única instituição de ensino público do Amazonas.

- Olha quem está ali – gritou Penafort ao entrarmos no ano 1930.  

Era o aluno Mário Ypiranga com a farda de grosso cáqui cinza-escuro e o escudo do CEA - um castelo de metal. Com seus colegas, resistia na “revolução ginasiana”, quando as salas do prédio foram invadidas por soldados da Polícia para prender estudantes que haviam “morcegado” bondes. Muitos presos, alguns feridos. No dia seguinte, os ginasianos foram às ruas, colocaram pedras e passaram sabão nos trilhos dos bondes, que descarrilharam. A manifestação criou um caos tão grande, que mudou a vida política do estado.

O Diretor Geral de Instrução Pública, Agnello Bittencourt, pediu demissão em agosto de 1930, alegando que “não podia continuar a servir uma administração que autorizara o vandálico tiroteio de um templo, sendo eu parte de seu corpo docente”.  O governador Dorval Porto foi deposto em outubro. O aluno Mário Ypiranga vibrou.

Amor e memória     

A desavença com a polícia continuou.  Dez anos depois, encontramos dentro do prédio a sombra do menino Thiago de Mello, que cursava a 5ª série e narrou outra manifestação da “revolução ginasiana”, a de 1940. A cavalaria da Polícia, com uma pinimba histórica contra os alunos, invadiu uma vez mais o espaço do CEA diz-que para manter a ordem numa quermesse realizada em suas dependências. Os estudantes realizaram uma passeata e, com apoio popular, apedrejaram as casas do chefe de polícia e de políticos corruptos.

- Está tudo no jornal O Castelo do Grêmio Estudantil, mostrando como o CEA sempre se posicionou diante dos acontecimentos políticos locais e nacionais – disse Thiago, que repetiria já adulto essa conclusão no livro Manaus, Amor e Memória no qual entrevista os protagonistas desses fatos.

Thiago apresentou as sombras de alguns colegas. Raimundo Castro, o “Cavalo Velho”, puxava de uma perna, tinha cicatriz no rosto e uma mãe que um dia convidou o futuro poeta a comer supimpa rabada de agrião e suculento refresco de taperebá. José Lindoso tão distraído calçava um sapato de cor diferente em cada pé. No momento em que Thiago dizia que todos os professores eram catedráticos concursados, o Cangalha, chefe-geral de disciplina, tocou a campainha para anunciar o início da homenagem a Vivaldo Lima, já aposentado.  

- Vamos escutar o que o Vivaldo vai falar – disse Penafort.

A sombra daquele que viria a ser nome de estádio de futebol, em seu discurso, deu três sábios conselhos: 1) Quem não conhece os bairros pobres de Manaus, que os visite para aprender com a vida deles; 2) Sempre vale a pena defender a verdade, mesmo que no começo a gente pareça perder; 3) Fiquem sempre do lado daquilo que é justo e correto.

Pescador de memória

O relógio dispara celeremente ano após ano e as sombras se revezam. Paramos em 1963 ou 1964 em uma sala com cheiro do perfume Bond Street. Uma voz dava aulas de história geral sobre Maomé ou o Império Gupta, não lembro bem.

- Bom dia, jovens! – saudou o fantasma que soltava fumaça de cigarro Hollywood pelo nariz. Ele se aproximou e me colocou um óculos de grau. Comecei a ver tudo com nitidez. Era o professor de História, Manoel Octávio, que nos abriu os olhos para o mundo. Na sala alunos que já partiram: Lana de Lys, Ilmar Faria, Flávio Farias, Djalma Limongi, Glória Bezerra. Outros vivos: Helenice Garcia, Henriette Cordeiro, Lenita Arone, Arabi Amed, Ceronir Freire, Denise Benchimol, Tereza Porto Melo, Yedda Guerra, Paulo Jacob.

No mesmo ano, em outra sala, Farias de Carvalho, fundador do Clube da Madrugada, tal qual “um pescador debruçado sobre a superfície silenciosa desbotada do rio da memória” retirava do seu Baú Velho lembranças e reminiscências ali armazenadas. Declamava uma aula aplaudido por Tenório Telles, um ginasiano honorário:

"Meus mortos hão de vir no fim da tarde. / Aguçai vossos dentes, cães do tempo, / vamos comer a morte no crepúsculo".

Para jantar a morte, fizemos romaria sala por sala. Lindalva Mota, apelidada de “Por-conseguinte-então”, ensinava lógica, silogismo, premissas. Cônego Walter comprovava que “filosofia é a ciência com a qual ou sem a qual, a gente fica tal e qual”.  Na aula de inglês, Miss Bell canta com voz gasguita God bless America, my home sweet home e jura que a democracia está no DNA dos EUA. Na turma de francês, o professor Miguel Duarte garante que “le lion est le roi des animaux” e capacita os ouvintes para se relacionarem com os bedéis.

Triste epílogo

Hoje inexiste funcionário denominado bedel. Mas no sonho focado nos anos 1960, Penafort conversou com bedéis que circulavam pelos corredores, entre eles Pierre Pirroquê, apelido afrancesado de Pedro Piroca, cujo irmão mais velho era Paulo - o Pirocão e o caçula Saulo - o Piroquinha, apelidos dados não por razões de grandeza anatômica, mas pela ordem de chegada ao mundo.

O chefe dos bedéis era seu Henrique, que viveu 95 anos e morava em uma edícula no terreno nos fundos do ginásio, onde criava um bode fedido de nome Castelo, mascote nas paradas cívicas de 5 e 7 de setembro. O bode com “farda de gala” abria o desfile, seguido por uma pessoa com síndrome de Down - o Bombalá considerado pelo preconceito da época como “doidinho”.  Vestido com calça “pega-marreca”, ele usava um cabo de vassoura como batuta e regia a banda marcial.  

Os protagonistas de muitas histórias estão no livro Gymnasianos de Osiris Silva, que foi presidente do Centro Estudantil Plácido Serrano em 1963. Lá ele discorre sobre os concursos literários, de oratória e de júris simulados e menciona esse humilde locutor que vos fala:

- Foi no concurso de contos que o Ribamar Bessa ganhou o primeiro lugar com o conto “Triste Epílogo”, tendo recebido uma caneta em solenidade simples”.

O título parece antecipar o triste desenlace do prédio. Se ele cair, lembranças como essas serão sepultadas sobre os escombros. A ameaça é real. O sinal de abandono é visto de fora pela vegetação que se espalha pelo teto. A natureza retoma o seu lugar diante da humana negligência – ironiza Felix Valois, ex-ginasiano. 

- “O que o governador Wilson Lima está esperando para restaurá-lo? Que o teto e as paredes caiam sobre a cabeça de estudantes e professores que há anos vêm pedindo socorro por conta do avançado grau de deterioro e insegurança?” – pergunta a professora de História e sindicalista Gleice Oliveira.

Talvez o governador bolsonarista Wilson Lima – o Vil Son – esteja praticando o “prediocídio” para apagar essas histórias, especialmente a da “revolução ginasiana” que derrubou o governador Dorval Porto. Ele confia na impunidade. Afinal, durante a pandemia comprou ventiladores hospitalares inadequados para o tratamento de pacientes com Covid-19, com sobrepreço de 133,67%, segundo o Ministério Público. Quem vendeu – pasmem – foi uma Adega de Vinho. Os ventiladores tomaram um porre e nada aconteceu. Os tempos agora parecem ser outros.

Estudantes do Colégio Estadual, o prédio vai cair se não houver reação. Mobilizem-se.

Ah! Tempo, tempo malvado. Tempo, você está nos enganando?

Referências

Agnello Bittencourt. Dicionário Amazonense de Biografias. Vultos do passado. Rio. Conquista. 1973.

Tenório Telles. Clube Madrugada. Presença Modernista no Amazonas. Manaus. Editora Valer. 2024

Thiago de Mello. Manaus: Amor e Memória. 4ª edição. Manaus. Editora Valer, 2004

Osiris Silva. Gymnasianos. Manaus. Editora Cultural. 2011

Artigos Jornalísticos: Taquiprati – Diário do Amazonas

O quinto mosqueteiro do Amazonas sai do baú – 03/01/2016 - https://www.taquiprati.com.br/cronica/1179-o-quinto-mosqueteiro-da-amazonia-sai-do-bau

O álbum da família Pirroquê 6/12/2011 - https://www.taquiprati.com.br/cronica/944-o-album-da-familia-pirroque

Os dois Djalma e o complexo da Amazônia. 14/08/2016 - https://www.taquiprati.com.br/cronica/1299-dois-djalmas-e-o-complexo-da-amazonia

Bogart de Igarapé: como ser jornalista nos trópicos 18/10/2015 - https://www.taquiprati.com.br/cronica/338-bogart-de-igarape-como-ser-jornalista-nos-tropicos.

Manaus, meu sonho: essa Manaus que se foi. 30.01.2011 - https://www.taquiprati.com.br/cronica/901-manaus-meu-sonho-essa-manaus-que-se-foi?

Da arte de ser Manoel Octávio. 22/08/2010. -  https://www.taquiprati.com.br/cronica/877-da-arte-de-ser-manoel-octavio

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43 Comentário(s)

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Cláudio Nogueira comentou:
09/09/2025
Arranjaste um sucessor. O Geraldinho escreve bem pra dedeu. Estamos a caminho de perpetuar o Taquiprati. Há muitos anos, quando tiravas férias, o Heyton chegou a escrever qualquer coisa, né ?
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Cláudio Nogueira comentou:
09/09/2025
Arranjaste um sucessor. O Geraldinho escreve bem pra dedeu. Estamos a caminho de perpetuar o Taquiprati. Há muitos anos, quando tiravas férias, o Heyton chegou a escrever qualquer coisa, né ?
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Marcio Pucu comentou:
08/09/2025
Minha passagem pelo Colégio Estadual do Amazonas foi apenas durante um ano durante o terceiro ano ginasial, egresso da Escola Técnica Federal. Mesmo tendo vivido somente um ano, o Ginásio Estadual sempre foi um sonho de todos os jovem amazonense, como também foram as personagens retratadas em suas memórias que passaram pelo colégio Estadual, inclusive os anônimos alunos e professores. Obrigado professor por me fazer voltar ao nosso passado. Abraços
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Irauna Jacob comentou:
05/09/2025
Deprimente ver um patrimônio histórico se deteriorando. O governador está indiferente a a história de Manaus ao não proteger seu patrimônio, somente um cidadão não amazonense seria insensível a essa situação caótica do meu amado colégio
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Luís Balkar Pinheiro comentou:
05/09/2025
Entre a inércia corrupta de um governador incompetente e a pirotecnia festiva de um prefeito inepto, a cidade naufraga, e com ela nossos marcos prenhe de memória e histórias. É crime que chama, o que se está fazendo no Ginásio Estadual.
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Tenório Telles comentou:
04/09/2025
Olá, professor. O texto é divertido e um passeio pela memória. Vai ajudar nessa mobilização pela preservação do Colégio Estadual. É incompreensível o descaso dos gestores da educação e do governador. Obrigado pela referência ao livro do Clube.
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Paula Litaiff (Revista Cenarium) comentou:
03/09/2025
Publicado na Revista Cenarium,: https://revistacenarium.com.br/colegio-estadual-do-amazonas-quem-desaba-somos-nos/ Colégio Estadual do Amazonas: quem desaba somos nós Neste artigo, José Ribamar Bessa Freire* comenta sobre o abandono do Colégio Estadual do Amazonas, o tradicional Ginásio Amazonense, símbolo histórico e cultural de Manaus. Freire descreve a deterioração física do prédio e ressalta que sua relevância vai além do valor material, pois abriga memórias coletivas de várias gerações. Ao recuperar episódios marcantes, como as “revoluções ginasianas” e a atuação de figuras como Thiago de Mello e Mário Ypiranga, o autor mostra como o colégio foi protagonista de movimentos políticos e sociais.
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Etelvina Garcia comentou:
03/09/2025
Dói, Ribamar. Dói fundo. Ele agora agoniza! Faz uns vinte anos, me chamaram para conversar com os estudantes e fui lá, de sala em sala, durante uma semana inteirinha, e baixei o meu arquivo. Lavei a alma diante do sorriso que brotava, iluminado, daqueles olhos adolescentes, ao receberem a notícia de que lá atrás, no 12 de agosto de 1930, estudantes e professores se deram as mãos, fizeram um cinturão humano e impediram que a polícia armada do delegado Camarão transpusesse as arcadas do nosso Gymnasio. Enquanto os estudantes eram levados, presos, Sete de Setembro abaixo, rumo ao xadrez da Marechal Deodoro, dois de seus professores, Agnelo Bittencourt e Plácido Serrano, tomavam a mão contrária da Avenida, entravam no Palácio Rio Negro sem.pedir licença e surpreendiam (?) o governador Dorval Porto com a sua grandeza moral. De pé, em solidariedade aos estudantes, em repúdio à arbitrariedade, ao abuso de poder, devolviam os cargos que ocupavam naquele governo minúsculo que não lhes merecia a confiança -- e voltavam à Cátedra, com a dignidade integralmente respeitada. Plácido Serrano Pinto de Andrade era o diretor do Gymnasio e Agnelo Bittencourt, o diretor do Departamento da Instrucção Pública (Secretário de Estado da Educação, na nomenclatura oficial de hoje). Manaus não sabe mais quem é o nosso Gymnasio. Não sabe que foi ele quem acolheu o que restou do riquíssimo acervo científico do Museu Botânico de Barbosa Rodrigues, quando o cônego Amâncio de Miranda virou presidente da Província por onze dias, em 1888, e despejou o Museu de sua casa própria, o palacete do Barao de Sao Leonardo (depois ampliado e sede do Instituto Benjamin Constant). Quando o Inpa se instalou, em julho de 1954, naquele casarão da Praça da Saudade, o nosso Gymnasio lhe entregou, entre outras relíquias preciosas, a coleção completa da revista Velosia, que morou por 68 anos de muito cuidado na sua biblioteca Tempos depois da conversa xom os alunos (faz menos de quatro anos), caminhei com paciéncia e esperança, perdi a conta de quantas vezes, à Secretaria da Educação, tentando falar com a secretária Kuka Chaves, contar-lhe histórias como esta que relatei agora e outras muitas, igualmente edificantes, mostrar-lhe a enorme estatura cultural deste ente especialíssimo e pedir-lhe o que não precisava ser pedido, porque estava diante dos olhos da cidade inteira e a ela cabia a obrigação de fazer:: mandar restaurar o nosso Gymnasio, antes que ele fosse posto abaixo. A Secretária não me recebeu.
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Justina Monteiro Monteiro comentou:
03/09/2025
Um dos símbolos educacionais,,,,,de Manaus, évergonhoso para a educação
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Harald Pinheiro comentou:
02/09/2025
Bessa, realmente uma tristeza! Parabéns pelo texto que honra a memória de um Escola singular com seus tão ilustres professores e alunos. Indefensável a estupidez de um governador que parece se regozijar com o descaso do patrimônio histórico.
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Aldisio Filgueiras comentou:
02/09/2025
Tombar, no Amazonas, significa cair, adernar. queidar O tombamento foi em 1988? É duro na queda...
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Valter Xeu comentou:
02/09/2025
Publicado no blog PATRIA LATINA - https://patrialatina.com.br/colegio-estadual-do-amazonas-quem-desaba-somos-nos/
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Isabella Thiago de Mello comentou:
02/09/2025
Bessa, como sempre, tua voz é necessária. A Escola José Paranaguá e o Ginásio Amazonense Pedro II marcaram profundamente a vida do poeta Thiago de Mello. Nas próprias palavras do poeta: ? “ Em Manaus eu vivi o período mais luminoso da minha infância e de todo o começo da minha juventude. (...) Estudei no Grupo Escolar José Paranaguá, onde e graças a particularmente duas professoras, a dona Clotilde Pinheiro e a dona Aurélia Rego Barros, eu descobri que o homem era capaz de criar a Beleza. Eu, aos 9 anos de idade, já tinha lido os poemas de Casimiro de Abreu, já sabia “ouvir estrelas” do Bilac. Já sabia, aos 10 anos, quando terminei o meu curso primário e entrei para o Ginásio Amazonense Pedro II, eu sabia de memória o soneto, um dos mais belos da língua portuguesa, “A Carolina”, de Machado de Assis. Então, no Ginásio, eu lia Drummond, eu lia Manuel Bandeira, eu sabia “Essa Negra Fulô”, de Jorge de Lima. Eu encerro, portanto, esse período da minha infância e da minha adolescência, até os meus 15 anos, quando deixei Manaus sozinho num navio do Lloyd, chamado Almirante Alexandrino, a caminho do Rio de Janeiro, para estudar Medicina, eu já levava comigo abertas algumas vertentes fundamentais da minha vida, que me acompanham até hoje. Eu já sabia primeiro que o homem era capaz de criar a Beleza. Eu já viajei sabendo que a vida humana, nesse lugar chamado Terra, é marcada por profundas desigualdades sociais. E já sabia que o amor era possível e que uma das mais belas formas de amor é a amizade.” *Depoimento de Thiago de Mello para o CD “O Amazonas em sua Literatura”, organizado pelo escritor e professor Tenório Telles, Editora Valer, Manaus, 2005.
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Arinete Ferreira Barroncas comentou:
02/09/2025
Tem que fazer greve camaradas. Os alunos e os professores , não só do Estadual, como é chamado , mas, de várias escolas . Tem que fazer passeatas com cartazes para denunciar a situação. Tem que chamar essa imprensa toda , enfim fazer escândalo grande sim , pq qq dia a escola pode cair em cima das pessoas e muitos morrerem . Enfim Tem que espalhar cartazes em toda a cidade denunciando esse bolsonabosta que governa Manaus . Passeatas ao Palácio do governador e uma comissão para falar com ele . País, alunos professores, vereadores etc. Eu trabalhei nesse escola linda , de 1977 a 1982, foram anos incríveis, muito bons .Hoje estou aposentada , moro em Diadema, SP. Mas, se aí estivesse , estaria na luta com todos . Vou divulgar bastante!!
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Mário Lúcio Covas comentou:
02/09/2025
Nossa Associação dos Ex-alunos já reuniu cerca de 2mil assinaturas pela restauração, ainda assim o Governo do Amazonas ignora nosso pedido!
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Astrid Lima (da Itália) comentou:
02/09/2025
Mário Lúcio Covas tem que fazer como o movimento Abre Biblioteca, puxando todo mundo! Falem com a Soraia Magalhães
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Heliana Nunes Feijó Leite comentou:
02/09/2025
Mário Lúcio Covas lamentável. O que mais precisamos fazer para esse prédio não desabar??? Fiquei triste ao passar em frente do “meu Colégio” hoje pela manhã. Aqui eu estudei de 1969 a 1973. Daqui eu saí para a Faculdade de Medicina da UFAM. Um prédio histórico ABANDONADO!!! Terra sem memória, sem História… #SOS Colégio Estadual do Amazonas!!! Nosso Ginásio Amazonense Dom Pedro II.
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Mosani Da Costa Santiago comentou:
02/09/2025
Fui sábado ao Centro e fiquei assustado com as condições do prédio. É inacreditável o estado do Estadual. Um crime histórico.
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Suely Buriti de Moura comentou:
02/09/2025
Ele acabou também com a Vila Olímpica, que era centro de excelência para atletas nacionais e internacionais. Tá um lixo, quebrada, sem banheiros usáveis, sem projetos decentes, etc.
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Mário Lúcio Covas comentou:
02/09/2025
Mestre José Bessa, estamos fechando a via administrativa com o Governo do Estado do Amazonas que não nos deu resposta ao pleito formalizado ao governador, neste sentido iremos ver a intervenção do MPE para que este tome as providências necessárias ao resguardo do patrimônio histórico de interesse público!
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José Bessa Taquiprati comentou:
02/09/2025
Mario, postei na tua Timeline uma proposta do advogado Marcelo Chalreo aqui do Rio. Ele enviou a crônica sobre a situação do CEA para o Beto Simonetti, presidente da OAB, que se propôs a agir. . O que você acha de judicializar essa questão?
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Leyla Martins Leong comentou:
02/09/2025
Ô saudade! Escorreu uma lágrima furtiva.
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Aurelio Michiles comentou:
02/09/2025
Malvados e perversos é esse tempo que pariu criaturas tão minúsculas que não conseguem distinguir a importância da memória, do legado e do patrimônio de um povo. Agora mesmo, um dos seus ex-alunos tornou-se imortal (como se já não fosse pela importância da sua obra) da Academia Brasileira de Letras - o escritor Milton Hatoum Milton Hatoum: Arquiteto da Memória.
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Otoni Moreira de Mesquita comentou:
02/09/2025
Continua em uso, apesar de toda precariedade do imóvel . Falta conhecimento e sensibilidade para com os bens públicos históricos
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Rosângela Bentes Campos comentou:
02/09/2025
Semana passada fui à feira da Manaus Moderna (que de moderna não tem nada), e, na volta, passei em frente ao prédio da antiga Faculdade de Direito (o famoso prédio da Jaqueira), onde estudei de 1980 a 1986. Doeu de ver aquele prédio histórico totalmente abandonado, caindo aos pedaços. Impressionante essa "cultura", no Brasil, de não se respeitar a Memória.
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José Augusto de Castro Carvalho comentou:
02/09/2025
Fui aluno do científico nos anos de 1963 e 1964. Fiz o terceiro científico no Rio porque queria ser médico e em Manaus não havia faculdade. O colégio era respeitado com professores de muito saber como Isidoro Barbosa, Wildner Caldas, Manuel Otávio, Ernani Barbosa, Nina e outros. As instalações eram conservadas e os alunos se orgulhavam dele. Gente, um primor de colégio e público! Há uma Associação de Ex-Alunos que podiam lutar pelo Colégio Estadual do Amazonas.
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Solange Bastos comentou:
02/09/2025
Meu Colégio de Aplicação na Lagoa tb está desmoronando... e é federal, da UFRJ..
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Celeste Corrêa comentou:
02/09/2025
Sim, mano , O Colégio Granbery daqui de Juiz de Fora passa por situação similar. As estórias e as memórias são semelhantes. O Colégio Granbery teve entre seus ilustres alunos o escritor Affonso Romano de Sant'Anna e o Ex presidente Itamar Franco, como o Colégio Estadual, o poeta Thiago de Melo, o Felix Valois, o Mário Ypiranga e outros nomes que engrandecem o Amazonas. Ambos, o Granbery e o Colégio Estadual, foram palcos de estórias de resistencia. E esse espírito não pode morrer. Tomara que os ex alunos do Colegio Estadual resistam e peitem o governador Wilson Lima para que essa memória seja preservada, como estão fazendo os ex granberyenses e. Juiz de Fora! Até o Boulos deu sua contribuição. rs .
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Angelina Peralva comentou:
02/09/2025
Nossa impotência política é monumental. Ela sim deveria ser tombada.
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Teka Rosso comentou:
02/09/2025
Adorei ler seu texto. Me senti como se também tivesse feito o Científico lá, na sua época. Eu gostaria de ter assim, o dom da escrita como voce, mas aí tenho cada ideia: pensei na cultura, no quê "imaterial " como a "radiação ". Pensei nessa analogia, mas contrapondo totalmente as diferenças. Pensei na cultura imaterial como a radiação: em anbos os casos não a vemos, não a tocamos diretamente, mas ela atravessa nossos corpos, nossas memórias e gestos cotidianos. Tal como a radiação, que de forma silenciosa molda processos vitais sem ser percebida, a cultura imaterial se infiltra nas práticas, nos modos de falar, nas crenças e nas formas de se relacionar, nas nossas lembranças. O local onde você estudou traz isso, suas lindas memórias de um período importante da sua vida, para além do aspecto arquitetônico. Se a radiação queremos evitá-la, o bem imaterial queremos que floresça. "Lembranças tatuadas nos olhos do tempo", que coisa mais linda!!! Vamos desejar que o governador se sensibilize, mas não há muito que esperar de um bolsonarista. Abraço carinhoso.
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Heloísa Corrêa comentou:
02/09/2025
Tristeza, indignação e um querer imenso de ver esses gestores longe da cidade. Compartilhando do Facebook.
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Célio Cruz (FNCC) comentou:
02/09/2025
Têm vários prédios de colégios abandonados. Esse governador bolsominion detesta educação, cultura e patrimônio, e ganhou confiança por não ter obra e ter sido reeleito, tal como o prefeito - os piores da nossa história.
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Márcia Meneghini comentou:
02/09/2025
Marcia Meneghini: O abandono no Centro de Manaus é geral. Muitos prédios importantes pra nossa memória se destruindo. Em volta da igreja dos Remédios já tem uma espécie de Cracolândia. O prédio da "Jaqueira" , a antiga Faculdade de Direito, em estado de total abandono... Parou de funcionar por risco de desabamento quando eu era estudante de ciências sociais... até hoje Enfim, boa crônica. Boa lembrança.
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Clélia Bessa comentou:
02/09/2025
Nossa, como podem deixar um lugar desse desmoronar? Mamãe também estudou lá .E Heyrton Bessa, o papai, está mencionado várias vezes no livro do Osiris.
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Marcelo Chalreo comentou:
02/09/2025
Querido Bessa, li, estupefato, essa sua crônica. A estupefação decorre de não saber da situação trágica do CEA, o antigo Gymnásio. Por razões várias, mas geralmente ligada às ( profundamente adversas ) situações dos povos indígenas do Amazonas, estive por Manaus e outras cidades amazonenses - mas sempre pausando na capital - algumas vezes nesses últimos anos. Em praticamente todas essas oportunidades percorri a pé vários e vários trechos da cidade, mas sem me dar conta do atual estado do CEA. Bem, metido que sou, vou me meter nessa história. Eu tentarei uma ponte com o presidente do Conselho Federal da OAB, o advogado Beto Simonetti, manauara que é, para tentar sensibilizá-lo para uma intervenção junto ao governo do estado para a recuperação integral do prédio, que, se assim feita, penso deverá ter uma destinação de cunho social e coletivo. Acresço que sua resenha, à qual adicionei uma mensagem de estímulo ao manauara presidente do CFOAB, já chegou lá via uma parceira que tem assento no Conselho Federal da OAB.
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Magela De Andrade Ranciaro comentou:
02/09/2025
Por aqui passou uma nuvem anunciando certa nostalgia, tristeza e muita indignação. Estou enviando, entre outros, para: Felix, Gleice, Arabi, Osires… enfim, Fafá, a mana, que lá também estudou, deve estar percorrendo AQUELES espaços deveras indignada, sobretudo com o VIL SON. Postei no "Grupo da Familia Andrade" sinalizando: Mais uma pérola do Babá.
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Teca Fraxe comentou:
02/09/2025
Querido Ribamar Bessa, essa reflexão está maravilhosa. Tudo que você escreveu até hoje é de excelência. No entanto, o Colégio Estadual para mim e meus irmãos, contempla nossa história de vida.
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Francisco Assis comentou:
02/09/2025
Bela crônica. Quanto ao nosso CEA, infelizmente não há interesse de algumas pessoas que deveriam cuidar do Patrimônio Historico. Em 2007 quando participava de um treinamento sobre restauração, inclusive com uma professora italiana. Naquela ocasião as palestrad eram sobre a restauração do mercado Adolfo Lisboa, pasmem, ouvi de um membro do patrimônio histórico isso: "Eu por mim demolia isso e contruia um novo mais moderno". Será que tem alguns com essa mentalidade em referencia ao CEA?
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Flavio (EGC) comentou:
02/09/2025
Magnífica crônica Companheiro Professor Bessa. Viajei consigo desde os anos 30 nas entranhas dos vasos comunicantes do fantástico Gymnasio Amazonense Pedro II. E me partiu o coração na caminhada pelas escadas, corredores e salas com ginasianos, professores e bedéis de diferentes gerações compartilhadas na evolução da vivencia desse ambiente de saberes amazonenses. E na admiração consternada da luta de seus ginasianos contra a ainda “humana negligência “ mas também contra os negacionistas de ontem e de hoje no apagamento de múltiplas memórias daquele ambiente vivido de saberes amazonenses narrados neste seu texto como um clamor e denuncia renovada pelo resgate e cultivo de nossas memórias culturais. Obrigado e parabéns por compartilhar.
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Bete Mendes comentou:
02/09/2025
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Egberto Gaspar de Moura comentou:
02/09/2025
É uma lástima, Bessa. Eu estudei no Colégio Estadual de Pernambuco, fundado por Dom Pedro II, creio que em 1864. Passou também por momentos ruins, com o prédio em condições precárias. Hoje, está em processo de restauração, inclusive com seu precioso museu de história natural, funcionando. Torcendo para que o mesmo aconteça com o Estadual do Amazonas.
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Mário Lúcio Covas comentou:
01/09/2025
Nossa Associação dos Ex-alunos do Colégio Amazonense D Pedro II ASEA, vêm lutando pela restauração!
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Geraldo Lopes de Souza Júnior comentou:
01/09/2025
Este texto revela que não se trata apenas da ruína de um prédio, mas do desmonte de algo muito maior: a memória coletiva e a dignidade da educação pública. Quando um lugar como o CEA desaba, não perdemos apenas paredes, mas páginas vivas da nossa história. O que está em jogo não é só o passado, mas também o futuro. Porque, assim como o colégio em ruínas ameaça sepultar lembranças, o sucateamento da educação ameaça impedir que novas memórias e novas consciências se formem. Sem memória, não temos identidade. Sem educação, não temos futuro. É consolador transformar a dor da perda em denúncia, e a nostalgia em chamado à luta.
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