CRÔNICAS

O que tu queres? Quiz sobre os presidenciáveis

Em: 01 de Setembro de 2026 Visualizações: 19
O que tu queres? Quiz sobre os presidenciáveis

Autor: Geraldo Lopes de Souza Júnior

"O importante não é responder a todas as perguntas, mas aprender a fazer as perguntas certas antes que nos deem as respostas prontas." (Paulo Freire)

Caboco, eu estava meio à toa na vida, naquela rara situação em que a gente está esperando a banda passar e não tem nada urgente para fazer — ou pelo menos nada que estivesse disposto a fazer — quando resolvi assistir às entrevistas dos presidenciáveis na Globo.

Meu filho, de 13 anos, estava ao meu lado, acompanhando tudo com aquela atenção desconfiada de quem ainda não pode votar, mas já quer saber quem manda no país.

Lá pelas tantas, ele me perguntou:

— Pai, se eu pudesse votar, em quem eu deveria votar?

Eu poderia ter dado aquela resposta clássica de pai:

— Isso é uma escolha tua, meu filho. Estuda os candidatos, conhece as propostas e decide por ti mesmo.

Mas achei mais interessante fazer diferente.

— Então vamos fazer um teste. Eu te faço algumas perguntas. Tu respondes o que achas melhor para o país e, depois, a gente compara tua resposta com o que cada candidato disse nas entrevistas.

Foi assim que nasceu este pequeno Quiz.

Não é teste para descobrir quem é mais bonito, mais simpático ou quem fala mais difícil. Também não é pesquisa eleitoral, muito menos receita de bolo para escolher presidente.

É apenas uma brincadeira educativa para descobrir que tipo de Brasil cada resposta ajuda a construir — e com qual presidenciável ela mais se parece.

Então, caboco, entra na brincadeira, pega papel e caneta, responde sem olhar o resultado e, principalmente, não vale escolher a resposta só porque ela parece combinar com o candidato de tua preferência.

Afinal, se a gente já sabe a resposta antes de fazer a pergunta, isso não é Quiz.

É torcida organizada.

Questão 01: bandido bom é bandido morto?

— Pai, o que é Estado social?

Antes de responder, caboco, deixa o pai explicar duas expressões que apareceram nas entrevistas.

Estado social é aquele que procura enfrentar as causas dos problemas sociais, oferecendo educação, saúde, assistência, emprego e oportunidades para diminuir a pobreza e a desigualdade.

Estado penal é aquele que dá maior importância à polícia, à prisão, ao aumento das penas e à punição para combater a criminalidade.

Uma coisa não necessariamente exclui a outra. Um país pode precisar de polícia eficiente para enfrentar o crime e, ao mesmo tempo, de escola, emprego e políticas sociais para evitar que mais gente entre nele.

Também apareceu nas entrevistas uma referência a Nayib Bukele, presidente de El Salvador, que ficou conhecido internacionalmente por uma política extremamente dura e criminosa contra as gangues, com prisões em massa e forte atuação policial. Dizem que o modelo reduziu drasticamente os homicídios no país, mas também provocou críticas e denúncias de violações de direitos humanos.

— Então ele prendeu um monte de gente?

— Prendeu. E é justamente aí que começa a discussão.

Agora que tu já sabes do que estamos falando, responde:

Tu, caboco, em relação à segurança pública, achas que é mais importante:

  1. construir um Estado social, enfrentando pobreza, abandono, educação ruim e falta de oportunidades antes que o crime aconteça;
  2. construir um Estado penal, com mais polícia, mais prisão, penas mais duras e pouca conversa com bandido;
  3. fazer as duas coisas, porque segurança sem prevenção é enxugar gelo e prevenção sem segurança também não resolve;
  4. chamar Bukele para dar uma palestra e perguntar depois quem paga a conta.

Se respondeste a, tua resposta se aproxima mais da visão social de Lula. Se escolheste b, estás navegando em águas mais próximas da direita que defende o endurecimento penal — especialmente Renan Santos e Flávio Bolsonaro. Se marcaste c, talvez estejas procurando o caminho do meio — que, em política, costuma ser o mais difícil de explicar. Agora, se escolheste d, caboco, acabaste de terceirizar a política de segurança pública.

Questão 02: Estado grande ou Estado pequeno?

— E o que é Estado grande?

Boa pergunta, filho.

Estado é, de forma simples, o conjunto de instituições que organizam a vida pública: governo, Justiça, polícia, escolas públicas, hospitais, órgãos de fiscalização e tantos outros.

Alguns candidatos defendem que o Estado brasileiro precisa ser menor, gastar menos e deixar mais espaço para a iniciativa privada.

Outros entendem que um Estado forte é necessário para garantir direitos e oferecer serviços que o mercado, sozinho, não consegue assegurar para todos.

A questão não é simplesmente saber se queremos Estado grande ou pequeno.

É descobrir o que queremos que ele faça — e quem ficará desassistido se ele deixar de fazer.

Então, caboco:

O Brasil tem um Estado grande demais. O que devemos fazer?

  1. Diminuir o Estado e deixar o mercado fazer o que quiser.
  2. Manter um Estado forte para garantir direitos sociais.
  3. Cortar a gordura, mas preservar o músculo.
  4. Cortar tanto que, quando precisares do Estado, vais descobrir que ele foi privatizado.

Se escolheste a, provavelmente vais conversar bem com Zema ou Renan Santos, que defendem uma redução maior do tamanho do Estado e maior espaço para a iniciativa privada. Se escolheste b, estás mais próximo da visão de Lula. Se escolheste c, talvez seja o “c” de Caiado ou Cury, que têm algo a te dizer. Os dois falam em reduzir desperdícios e tornar o Estado mais eficiente, mas sem simplesmente desaparecer com ele. Se escolheste d, parabéns: acabaste de descobrir uma das grandes ironias do Estado mínimo — às vezes o cidadão quer um Estado pequeno até o dia em que precisa dele.

Questão 03: patrão e empregado

Vamos falar de trabalho. Quando um empresário contrata alguém, os dois entram numa relação que parece simples: um oferece emprego; o outro oferece sua força de trabalho. Mas existe uma diferença importante: geralmente, o patrão tem capital, empresa e poder de contratação; o trabalhador tem uma conta para pagar no fim do mês.

Por isso existem leis trabalhistas: para estabelecer um conjunto mínimo de direitos e regras nessa relação.

Há quem defenda mais liberdade para patrões e empregados negociarem diretamente. Há quem considere que, sem proteção legal, o trabalhador mais pobre pode acabar aceitando condições que não aceitaria se tivesse outra opção.

Agora a pergunta:

Sobre a relação entre trabalhador e empresário, qual destas alternativas representa melhor tua opinião?

  1. Quanto menos regras, mais liberdade para contratar e negociar. Afinal, acredito que o padrão é humano e justo e buscará um equilíbrio entre o que é melhor para ele e para o funcionário.
  2. Quanto mais direitos garantidos, menor o risco de o trabalhador negociar de joelhos.
  3. Podemos flexibilizar algumas regras sem desmontar a proteção trabalhista.
  4. Patrão e empregado resolvem tudo diretamente. Se der briga, chamam o ChatGPT.

Se escolheste a ou d, tua carteira de trabalho provavelmente está com saudade de Renan Santos. O candidato do Missão defendeu uma forte flexibilização das relações trabalhistas e maior negociação direta entre patrões e empregados. Se escolheste b, estás mais próximo da visão de Lula, que coloca a proteção e a valorização do trabalhador no centro de sua proposta. Se escolheste c, estás procurando uma terceira via.

E aqui fica uma pergunta que o Quiz não consegue responder: quando um pode dizer “não” porque tem dinheiro para esperar e o outro precisa dizer “sim” para pagar o aluguel, será que os dois estão negociando em condições iguais?  Ou se trata de uma negociação entre raposa e à galinha?  

Questão 04: estatal dá prejuízo

Agora vamos entender outra palavra que aparece bastante nas eleições: estatal.

Uma empresa estatal é uma empresa controlada pelo poder público. Algumas atuam em setores considerados estratégicos, como energia, petróleo, bancos e infraestrutura.

Quem defende a privatização argumenta que empresas privadas podem ser mais eficientes e que o governo não deveria administrar aquilo que o mercado pode fazer.

Quem defende a manutenção de determinadas estatais entende que algumas empresas são importantes demais para ficarem submetidas exclusivamente à lógica do lucro.

Mas existe uma pergunta que ninguém deveria fugir: se uma empresa pública dá prejuízo, devemos mantê-la só porque é pública?

Então:

Uma empresa estatal dá prejuízo. O que fazer?

  1. Privatizar.
  2. Recuperar a empresa e mantê-la pública se ela for estratégica.
  3. Primeiro descobrir por que ela dá prejuízo. Depois decidir.
  4. Privatizar o prejuízo e socializar a conta — afinal, isso também é uma tradição brasileira.

Se escolheste a, estás mais próximo de Zema e de sua defesa de privatizações, com aquela forma de falar igual à da dona Álvara, síndica do condomínio Jambalaya do programa “Toma Lá, Dá cá”. Se escolheste b, provavelmente estás mais próximo de Lula. Se escolheste c, estás tentando decidir antes de ideologizar. E se escolheste d, caboco, tu não queres privatização. Tu queres um milagre administrativo.

Questão 05: imposto

Agora vamos mexer num assunto que todo mundo entende rapidamente quando chega o boleto: imposto. Imposto é o dinheiro que o Estado arrecada para financiar suas atividades e serviços públicos.

É com dinheiro de impostos que se financiam, entre outras coisas, escolas, hospitais, segurança, estradas, universidades, fiscalização e programas sociais.

O problema é que ninguém gosta de pagar imposto.

E aí aparece o dilema: se reduzirmos a arrecadação, também precisamos explicar o que será reduzido ou de onde virá o dinheiro para continuar pagando as contas.

Agora responde:

Tu recebeste a promessa de redução de impostos. Qual é tua reação?

  1. Finalmente! Meu bolso agradece.
  2. E quem vai pagar saúde, educação, segurança e previdência?
  3. Reduz imposto, mas primeiro mostra de onde vai sair o dinheiro.
  4. Reduz tudo. Depois a gente descobre para que servia.

Se escolheste a, estás mais próximo da turma liberal, especialmente daqueles que defendem redução da carga tributária. Se escolheste b, provavelmente estás olhando para o Estado pela ótica social de Lula. Se escolheste c, estás fazendo uma pergunta que deveria acompanhar toda promessa eleitoral: de onde virá o dinheiro? E se escolheste d, caboco, tu não queres um plano econômico. Tu queres um cupom de desconto.

Questão 06: 8 de janeiro

Agora precisamos separar duas palavras que parecem semelhantes, mas não são: anistia e impunidade. Anistia é uma decisão política e jurídica que pode perdoar determinados crimes ou infrações dentro das condições estabelecidas pela lei. Impunidade é outra coisa: é quando alguém deixa de ser responsabilizado por aquilo que deveria responder.

O debate sobre os atos de 8 de janeiro envolve justamente essa discussão: pessoas condenadas pela Justiça devem cumprir suas penas ou o Congresso deveria aprovar uma anistia?

Não é uma questão pequena. Envolve os limites entre os Poderes, o respeito às decisões judiciais e a responsabilidade de quem participou dos atos.

Então, caboco:

Sobre os condenados pelos atos de 8 de janeiro, tu achas que:

  1. devem cumprir as penas determinadas pela Justiça;
  2. precisam ser anistiados;
  3. cada caso deve ser analisado individualmente;
  4. melhor deixar a decisão para o próximo grupo de WhatsApp da família.

Lula se posiciona contra a anistia de quem tinha comprovadamente um plano para assassinar o presidente eleito, seu vice e um ministro do STF.  Flávio Bolsonaro e Zema defenderam a anistia dos envolvidos. Caiado também defendeu uma anistia ampla para os condenados. E aí aparece uma questão que ultrapassa a disputa entre esquerda e direita: até onde pode ir a política quando encontra uma decisão judicial? Se escolheste d, caboco, teu Supremo Tribunal Federal não passa de um grupo de WhatsApp.

Questão 07: urna eletrônica

Antes de responder, vamos esclarecer uma coisa importante. A urna eletrônica brasileira não surgiu ontem. Ela é utilizada nas eleições do país há décadas e o sistema eleitoral passa por testes, auditorias e mecanismos de fiscalização.

Partidos políticos, instituições e especialistas podem acompanhar diferentes etapas do processo eleitoral.

Isso não significa que uma tecnologia seja magicamente perfeita. Significa que uma afirmação sobre fraude precisa ser demonstrada com evidências, e não simplesmente repetida em vídeo, grupo de WhatsApp ou rede social.

Também é importante separar duas coisas: questionar um sistema é legítimo; afirmar que houve fraude sem apresentar provas é outra história.

Agora responde:

Quando alguém pergunta se tu confias nas urnas eletrônicas, tu respondes:

  1. Confio.
  2. Confio, mas quero fiscalização e transparência.
  3. Não confio.
  4. Confio até meu candidato perder.

Se escolheste a ou b, estás tratando o sistema eleitoral com desconfiança saudável, mas sem abandonar as evidências. Se escolheste c, precisas apresentar as provas que sustentam tua desconfiança. Agora, se escolheste d, caboco, isso não é exatamente uma opinião sobre urna eletrônica. É diagnóstico de torcida eleitoral.

Porque democracia tem uma regra simples que às vezes parece difícil: o voto só vale mesmo quando aceitamos o resultado que não queríamos.

Questão 08: Amazônia

Agora vamos falar de uma coisa que para nós, amazônidas, deveria ser óbvia, mas que às vezes precisa ser explicada até para quem mora aqui. A Amazônia não é apenas uma floresta cheia de árvores. Ela abriga uma enorme diversidade de espécies, influencia o ciclo da água, participa da regulação climática e sustenta populações tradicionais e milhões de pessoas.

Mas também existe gente vivendo na Amazônia que precisa comer, trabalhar, produzir, transportar seus produtos, ter energia, escola, hospital e infraestrutura.

Por isso, a discussão não deveria ser simplesmente “floresta contra desenvolvimento”. A pergunta mais difícil é: como desenvolver a Amazônia sem destruir aquilo que torna a região vital para manter o planeta sadio?

Agora responde:

Quando o assunto é Amazônia, tu preferes:

  1. proteger a floresta, combater o desmatamento e as queimadas;
  2. explorar os recursos naturais para gerar crescimento;
  3. proteger, mas permitindo desenvolvimento econômico sustentável;
  4. explorar tudo agora e deixar a conta para os netos — afinal, eles ainda nem votam.

Se escolheste a, estás mais próximo de uma visão ambientalista. Se b, tua conversa provavelmente será melhor recebida pelo setor produtivo. Se c, estás tentando conciliar duas necessidades reais: preservar e desenvolver. Se d, parabéns. Acabaste de reinventar a política pública do “depois a gente vê”.

Questão 09: inteligência artificial

Agora chegou a vez de uma expressão que parece coisa de filme de ficção científica, mas já está entrando na nossa vida: inteligência artificial.

De forma simples, IA é uma tecnologia capaz de analisar grandes quantidades de informação, reconhecer padrões e realizar tarefas que antes dependiam exclusivamente de pessoas.

Ela pode ajudar um médico a analisar exames, um professor a preparar material didático, uma empresa a aumentar sua produtividade e um governo a organizar serviços públicos. Um disléxico a escrever crônicas semanais.

Mas também pode trazer problemas.

Pode substituir determinados empregos, aumentar desigualdades, facilitar golpes, produzir imagens e vídeos falsos e espalhar desinformação em uma velocidade que nenhum ser humano conseguiria acompanhar.

Ou seja: a mesma tecnologia que pode ajudar a sociedade também pode ser usada para prejudicá-la.

Agora responde:

A inteligência artificial chegou à política. O que fazemos com ela?

  1. Usamos para melhorar saúde, educação, segurança e serviços públicos.
  2. Usamos para aumentar produtividade e competitividade das empresas.
  3. Usamos para as duas coisas, desde que alguém descubra primeiro quem vai pagar.
  4. Pedimos à própria inteligência artificial para escolher o presidente e encerramos logo a eleição.

Se escolheste a, tua resposta conversa mais com Lula, Caiado e Cury, que defendem aplicações da inteligência artificial em serviços públicos e áreas como saúde e segurança. Se escolheste b, estás mais próximo de Zema e Renan Santos, que enfatizam produtividade, inovação, empresas de tecnologia e competitividade. Se escolheste c, caboco, tu queres o pacote completo — e Caiado e Cury têm propostas que caminham nessa direção. Agora, se escolheste d, parabéns: tu acabaste de criar o primeiro candidato que não precisa de eleitor. Só precisa de tomada.

Entre os seis presidenciáveis, Cury foi quem apresentou a agenda mais fortemente voltada à inteligência artificial, inclusive com propostas para ampliar sua utilização na administração pública e em áreas como saúde. Mas existe uma questão que vale para todos: tecnologia não é solução mágica.

Uma máquina pode acelerar um processo ruim. Uma inteligência artificial pode até produzir uma mentira mais rapidamente. Até para ser moderno é preciso continuar sendo racional.

Questão 10: fome

Agora uma pergunta que parece simples, mas não é. Por que alguém passa fome?

Às vezes porque perdeu o emprego. Às vezes porque ganha pouco. Às vezes porque mora longe de mercados e serviços públicos. Às vezes porque não consegue produzir ou comprar alimentos. E, muitas vezes, porque está preso a um ciclo de pobreza que se reproduz de uma geração para outra.

O Brasil produz uma quantidade enorme de alimentos. Portanto, combater a fome não significa simplesmente perguntar se existe comida suficiente.

É também perguntar: quem consegue comprar essa comida?

Por isso existem duas visões que aparecem frequentemente no debate político. Uma defende políticas de transferência de renda e assistência para garantir que ninguém passe fome hoje. Outra enfatiza emprego, empreendedorismo e crescimento econômico como caminhos para que as pessoas tenham renda própria amanhã.

Talvez o desafio seja justamente descobrir como fazer as duas coisas.

Agora responde:

Quando uma pessoa passa fome, o papel do governo deve ser:

  1. garantir comida e renda enquanto cria condições para que ela saia dessa situação;
  2. criar empregos e oportunidades para que ela não dependa do governo;
  3. fazer as duas coisas;
  4. mandar um discurso sobre empreendedorismo do Pablo Marçal e esperar que a fome fique com vergonha.

Se escolheste a ou c, provavelmente estás mais próximo da visão social de Lula. Se escolheste b, tens uma visão mais próxima dos candidatos liberais, que apostam mais fortemente em emprego, empreendedorismo e redução da dependência de políticas sociais. E se escolheste d, caboco, tua política de combate à fome precisa urgentemente de uma atualização. Porque barriga vazia, infelizmente, ainda não se alimenta de discurso.

E o gabarito?

Depois de responder às perguntas, meu filho e eu fomos comparar as respostas com aquilo que os seis presidenciáveis disseram nas entrevistas.

Os seis haviam passado pela sabatina da Globo naquela semana, em entrevistas que foram ao ar depois do Jornal Nacional.

E veio a surpresa.

Meu filho, de 13 anos, chegou à conclusão de que, entre os seis, o candidato cujas ideias mais se aproximavam das respostas que ele próprio havia dado era Lula.

Olhei para ele. Olhei para o resultado. E não resisti:

— Rapaz, tu tens 13 anos e terminaste escolhendo o 13!

Ele riu.

Mas depois fiquei pensando que talvez a coincidência tivesse alguma graça além do trocadilho. Afinal, ele não escolheu o número. Chegou ao número pelas ideias.

E talvez essa seja uma maneira mais saudável de escolher um candidato: primeiro perguntar que país queremos, depois descobrir quem está mais próximo desse país.

Porque votar não deveria ser escolher um time. Não deveria ser herdar a preferência do pai, da mãe, do pastor, do influencer ou do grupo de WhatsApp. Muito menos escolher alguém porque ele fala bonito, promete vingança ou diz exatamente aquilo que queremos ouvir.

Meu filho ainda tem 13 anos e não pode votar.

Mas já pode aprender uma coisa que muito adulto esqueceu: antes de escolher um candidato, é preciso escolher que sociedade queremos construir.

E, no nosso pequeno Quiz doméstico, pelo menos naquele domingo, as respostas dele acabaram apontando para o número 13.

Coincidência?

Talvez.

Mas, caboco, como diz minha sulfurosa tia Dile: coincidência demais também merece uma perguntinha.

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