Autor: Geraldo Lopes de Souza Júnior
“Toquem o meu coração/ façam a revolução/ Que está no ar/
Nas ondas do rádio/ No submundo repousa o repúdio/ E deve despertar”
Trecho da Música Rádio Pirata, do RPMT
- “Eureka!”
Esperamos até o intervalo para entender o que ele havia descoberto. Aquele sorriso irônico, ao mesmo tempo desafiador e esperançoso, me fez pensar que ele estava prestes a nos revelar algo importante. Quando perguntei, ele, com tom incisivo, respondeu:
— Tudo começa com uma revolução! Veja a Física, a História…
— Até o rock nacional tem revolução, olha o RPM — completei, rindo.
Naquele momento, eu não compreendia a profundidade de suas palavras. Ignorei sua reflexão e fui jogar futebol no pátio da escola, onde duas pedras improvisavam o papel das traves. Parecia apenas mais uma teoria de um amigo apaixonado por Física.
Não sabia, naquele instante, que estava diante de algo muito maior do que imaginava.
Mais de 30 anos depois, refletindo sobre os desafios do Brasil, percebo que Erickson antecipava — de algum modo — o que o país precisava — e ainda precisa: uma revolução. Mas não uma revolução violenta ou destrutiva. Precisamos de uma revolução de consciência, de coragem, de ação coletiva. Uma transformação profunda e construtiva, feita pelas mãos do povo.
Conhecendo o inimigo
Caboco, deixa eu falar uma coisa: “revolução” não é só palavra bonita. É ruptura radical. Radical mesmo. Tipo botar molho inglês no pirarucu, ketchup na sardinha ou sakura no pacu.
A revolução atravessa ciência, história e filosofia. Copérnico, Newton, Einstein, a Mecânica Quântica. Revolução na Física. Revolução na História: Francesa, Industrial. Revolução no pensamento: Sócrates, Kant. Sempre abandonar velhos modelos. Criar novos caminhos.
No Brasil, revolução não é só trocar governo. É entender a sociedade, seus problemas estruturais, conhecer o inimigo. Sun Tzu dizia: só se vence conhecendo o inimigo. Pois bem, nosso inimigo é complexo: desigualdade, corrupção, descaso. Mas entender é o primeiro passo para mudar.
Da teoria à ação
Política é a arte do possível — ou de transformar impossível em realidade. Hoje, no Brasil, a mudança não é garantida, mas está ao alcance. E já não dá para adiar.
Velhas estruturas resistem, mas enferrujaram. Política gira em círculos, mas algo no ar mudou. A sensação de paralisia é real, mas não definitiva. A roda começou a girar.
A verdadeira revolução não sai de gabinetes fechados. Sai das ruas, das escolas, das comunidades, das redes sociais. Do trabalhador que não aceita mais ser invisível. Da estudante que questiona o mundo. Do cidadão que acredita que é possível construir um país mais justo e segue a canção, caminhando e cantando.
As elites tentam segurar o poder como engrenagens enferrujadas, mas o cansaço é visível. A maquiagem não cobre mais os defeitos. O povo acordou. Está atento, informado, disposto a agir.
PEC da Blindagem, estabilidade às custas de poucos… até quando vamos aceitar? A mudança não é utopia. É possível. É projeto. É luta. É construção coletiva.
O Brasil desperta. Ruas ocupadas por vozes diversas. Bandeira nacional ressurge não como símbolo de autoritarismo, mas de pertencimento e resistência. O cidadão comum redescobre sua força. Pequenos gestos cotidianos — consciência crítica, engajamento local, redes sociais — multiplicam-se em impacto coletivo.
A revolução nasce no cotidiano. Redefinir sucesso, felicidade, adotar práticas solidárias. Cada escolha individual é semente de transformação.
Recentemente, uma amiga disse que os EUA são um país que “deu certo”. Respondi com esta analogia: imagine uma família rica que, à primeira vista, parece ter “dado certo”. O pai, traficante de armas, vive de aparências; a mãe finge ignorar a corrupção. Vivem na opulência, mas os filhos enfrentam perigos, violência e ausência de valores humanos. Essa família realmente “deu certo”? Ou apenas esconde falhas sob a fachada do sucesso material?
A revolução é agora
Sabe, caboco, é desse tipo de revolução que falo. Não explosão de ódio ou divisão. É onda de amor, empatia, resiliência. Não se impõe. Se espalha. Silenciosa, forte. Como raiz que brota na terra fértil da consciência coletiva.
Transforma o Brasil: amor à liberdade, à igualdade, à justiça. Amor pela diversidade. Amor pelo próximo. Luta de um é luta de todos. Quando um se levanta, todos se levantam.
Em 2026, diferente de 2022, aposto: o país inteiro de verde e amarelo, torcendo pela seleção na Copa do Mundo.
Ressignifiquemos o RPM? Revolução Por Manaus? Revolução Pró Brasil? Revolução Pelas Mulheres? Revolução Para Minorias? Novos significados, gritos de resistência ecoando nas ruas, escolas, universidades, corações.
Transformação nasce do cotidiano: sorrisos, solidariedade, palavras de esperança. A mudança não depende de líder único, mas da ação coletiva.
Verdadeira revolução: no aprendizado e nos sonhos das crianças, na resistência dos trabalhadores que recusam a invisibilidade, na coragem das mulheres que levantam muitas outras com elas. Fala pra mim, leitor (a): factível ou utopia?
Uma semente plantada
O Brasil desperta, como os corações que nele habitam. O sol já brilha para todos. Cabe a nós espalhar sua luz. O que une é maior que o que divide: amor pela gente, raízes, esperança de futuro justo. 
A revolução não será televisionada. Será vivida no silêncio das manhãs, no calor das tardes, na calidez das noites. Construída no afeto, na dignidade, na certeza de que enquanto houver amor, haverá chance para o novo.
Essa revolução já acontece, discreta e poderosa, nas mãos de quem acredita. Erickson, professor da rede pública, é exemplo: cada aula que ministra é semente em solo fértil, despertando jovens para consciência e transformação. Ele é revolucionário diário, provando que o futuro nasce de gestos pequenos, mas cheios de significado.
E tu, leitor (a)? Me diz: o que fazes para esse país dar certo? É. É contigo mesmo que estou falando. Responde.

