CRÔNICAS

O QUE WERÁ KUARAY FOI FAZER NO CONGRESSO JUNGUIANO?

Em: 27 de Agosto de 2017 Visualizações: 3205
O QUE WERÁ KUARAY FOI FAZER NO CONGRESSO JUNGUIANO?

O que advogo é um homem plural, munido de um idioma plural. Ao lado de uma língua que nos faça ser mundo,

deve coexistir uma outra que nos faça sair do mundo (Mia Couto – A língua que não sabemos que sabíamos). 

 

Fronteiras – esse foi o tema escolhido pela Associação Junguiana do Brasil para o seu XXIV Congresso Nacional que se realizou de 24 a 27 de agosto em Foz do Iguaçu (PR), justamente onde Brasil, Argentina e Paraguai se separam e se encontram. Falou-se das linhas divisórias dos territórios, do pensamento, do corpo, da natureza, da cultura, das línguas. Houve recital de piano, exposição de fotos, oficinas, mesas-redondas, lançamento de livros. No encerramento, a antropóloga Edilene Coffaci de Lima discutiu como se estabelecem fronteiras.

Numa das mesas coordenada por Lygia Fuentes, do Instituto Junguiano do Rio de Janeiro (IJRJ), o médico e analista Walter Boechat abordou as “Novas Perspectivas na Fronteira Corpo-Mente” e este locutor que vos fala discorreu sobre “Fronteiras e Línguas em Contato”. Peço licença aos demais palestrantes para centrar aqui o foco no caso de Werá Kuaray apresentado na minha fala, iniciada com citação de Mia Couto, para quem “precisamos de um idioma que nos crie raiz e lugar”, mas também de outro “que nos faça ser asa e viagem”. Tal proposta implica a delimitação de fronteiras entre línguas.

Foi por essas fronteiras que transitou nos últimos anos um menino guarani que eu conheço bem. Para preservar sua privacidade, omito o nome com que é registrado na escola e uso Werá Kuaray (Brilho do Sol) com que é conhecido na aldeia Tekoá Porã (Aracruz – ES), onde nasceu e na aldeia Porto Lindo (Japorã - MS) para onde se mudou. Sua experiência ilustra, de um lado, como as fronteiras linguísticas podem ser porosas, flexíveis e negociáveis, e de outro como elas podem se tornar rígidas e intransponíveis, dependendo do poder político ou dos agentes encarregados de delimitá-las.

O “I” de Ipanema

Quando Werá Kuaray completou quatro anos, seu pai guarani, aluno na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, levou a família, em 2012, para residir no município de Seropédica (RJ).  O menino, monolíngue em guarani, foi matriculado em horário integral no Centro Municipal de Educação Infantil Irene de Albuquerque do município de Seropédica (RJ). Olhem só o que aconteceu.

Durante o processo de adaptação na creche, a criança encontrou dificuldades para se comunicar. Logo no primeiro dia, se dirigiu à professora e falou:

- Y, y, y. 

Foi levado ao banheiro, porque entenderam que ele queria fazer xixi. Na realidade, estava pedindo água em guarani (a mesma água que molhou palavras como Yguaçu, Ypanema, Ycaraí). Desfeito o equívoco, com ajuda do pai e por iniciativa da professora, a Escola criou um pequeno glossário guarani e trabalhou o léxico com as crianças monolíngues em português, contribuindo para a inclusão de Werá, mas especialmente envolvendo no mundo guarani seus colegas, que tomaram conhecimento de outra língua falada no Brasil e cruzaram a fronteira entre elas. Bendita professora, abridora de cancelas! 

A iniciativa gerou o projeto “A contribuição dos índios para a formação da cultura brasileira”, que incluiu palestras e música Guarani na escola. Werá cantou, feliz, a música Nhamandu Mirim, com seus coleguinhas da creche que aprenderam a musicalidade de uma língua indígena falada hoje em mais de 100 municípios brasileiros e também no Paraguai, na Argentina e na Bolívia. A diversidade, vista quase sempre pela escola como obstáculo – a escola adora o uniforme - passou a ser aqui um recurso pedagógico para avançar no conhecimento da aventura da existência humana.  

A escola de Olaria

No entanto, essa ponte construída foi dinamitada nas outras duas escolas para as quais Werá foi transferido, uma no bairro de Olaria, na cidade do Rio e a outra no município de Tanguá, onde a família reside até hoje. O que aconteceu lá pode ser acompanhado em quatro relatórios diferentes, nos quais vou me basear, complementando com conversas tidas com os pais e na visita feita a uma das escolas pela equipe do Programa de Estudos dos Povos Indígenas da UERJ.

Na cidade do Rio, segundo o Censo do IBGE (2010), vivem mais de 17 mil índios dispersos por bairros e favelas. Portanto, o caso de Werá é similar ao de muitos outros índios deslocados para a cidade, que se tornou um cemitério de línguas indígenas. Ele frequentou durante um ano a escola em Olaria. Lá, a primeira recomendação da nova professora foi que o pai não falasse mais em guarani com o filho. Quando Werá abria a boca, a professora exigia que falasse “certo”, “normal”, “como todo mundo”, ou seja, em português.

O relatório de avaliação registra que “o aluno é novo na Unidade Escolar nesse ano de 2013, é descendente de índios e veio de uma tribo onde a língua materna era o Guarani, assim demonstra dificuldades em se fazer entender, pois fala muito enrolado e na língua dele. Não compreende muitas atividades, não demonstra interesse. Abaixa a cabeça, permanece horas olhando para o nada, rabisca a folha, ou deixa a folha parada sem fazer nada. Até nas brincadeiras, pouco se mistura, muitos colegas não conseguem entender o que ele fala. Ao ser solicitado a recontar uma história ouvida, não se faz entender, tornando difícil a produção oral”.

A professora nem desconfiou que para Werá Kuaray quem falava enrolado era ela. O Relatório finaliza com uma recomendação: “O aluno cursará o 1º ano do Ciclo Inicial em 2014 e necessitará de um trabalho paralelo para poder acompanhar o conteúdo da alfabetização, além de treinar a língua portuguesa fora da escola”.

A escola de Tanguá

No ano seguinte, a família muda para Tanguá (RJ) que é, ironicamente, uma palavra do guarani antigo. No “formigueiro” da escola ninguém sabia o que fazer com o novo aluno. Werá foi incluído na turma de alfabetização. Devido a dificuldades de comunicação, a professora o encaminhou ao Centro Integrado de Saúde e Educação, para, em princípio, ser atendido no contra turno por psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, o que ocorreu de forma precária, sem qualquer resultado. Os profissionais de diferentes áreas não estão preparados para transitar por tais fronteiras. 

Uma equipe do Proindio da Faculdade de Educação da UERJ, em reunião com a Secretária Municipal de Educação de Tanguá, explicou a condição de falante de guarani de Werá e a necessidade de se adotar estratégias para a aquisição do português como segunda língua. Ele foi incluído na turma de alfabetização e passou a fazer exercícios de coordenação motora fina e grossa, a cobrir nome com pontilhado. No entanto, diagnosticado como “fora da norma”, foi deslocado para um “pequeno curral” no fundo da sala, onde uma mediadora trabalhava com outra aluna com déficit cognitivo. No último mês a mediadora entrou de licença e a professora aconselhou que Werá ficasse em casa. 

A professora regente assinou três relatórios bimestrais em abril, julho e setembro de 2014. Faço aqui um resumo do conteúdo. Ela registra que Werá “encontra-se no nível pré-silábico, ainda não reconhece o alfabeto, precisa do auxílio da professora para identificar letras e números, ainda não produz textos. Gosta muito de pintar, prefere pintar com hidrocor, pois as cores são mais vivas. Está sendo difícil avaliar o aluno devido à dificuldade de comunicação. Ele apresentou pouco avanços”. 

Veio então o golpe mortal: “Embora alguns dias o aluno chegue à sala alegre com abraços na professora, em outros chega mal humorado e se isola do ambiente ao redor. Senta em sua cadeira e fica olhando para o teto ou entra embaixo da mesa da TV e lá permanece até o fim da aula. Muitas vezes parece se desligar da realidade. Algumas vezes fala de um jeito que não conseguimos entendê-lo, talvez na língua indígena. Não solicita ajuda da professora quando necessário, não se comunica, não brinca com os colegas, se recusa a fazer as tarefas em sala, se esconde debaixo da mesa e demonstra certa agressividade”.

Agressividade certa

A criança manifesta certa agressividade ou agressividade certa? Depois desse relatório contundente, Werá foi diagnosticado como “autista” por quem não tem competência para isso. Seus pais protestaram e foram ameaçados de serem denunciados ao Conselho Tutelar. Filmaram, então, Werá em casa, brincando com as três irmãs. Eu vi. Procuraram médicos de dois hospitais universitários: da UERJ e da UFF, ambos descartaram o autismo. Não é um caso patológico, mas de tratamento inadequado para ultrapassar as fronteiras das línguas. Quem padece de autismo pedagógico é a escola, que não respeita os direitos linguísticos garantidos pela Constituição de 1988, se isola, agride quando busca alfabetizar a criança numa língua que não é a dela e na qual não se expressa oralmente com fluência.   

Acontece que da mesma forma que Werá guarani, existem milhões de brasileirinhos que chegam à escola, falando segundo regras de variedades populares e são humilhados, porque se estabeleceu fronteiras rígidas no jeito de falar. Dessa forma, as crianças são levadas a se envergonhar das variedades consideradas “erradas”, um verdadeiro bullying coletivo. Com essa atitude inquisitorial boicotam qualquer possibilidade de apropriação, nessas condições adversas, da “certa variedade” considerada “variedade certa”. O respeito ao jeito de falar do aluno é uma condição para criar um ambiente acolhedor e propício à aprendizagem da norma dita culta. Tolerância e respeito à diversidade. Como na escola de Seropédica. Só isso. 

O modelo educativo dominante, que prega o unilinguísmo, representa um exemplo de intolerância Nessas circunstâncias, o bilinguismo é, como regra geral, uma forma de transitar entre fronteiras, de conhecer o outro, que reside no outro lado da fronteira linguística. « Ali onde não existe o « outro », onde não existe ainda, cessa toda possibilidade de consciência » - escreveu Jung citado por Humbertho Oliveira e por Fabiana Binda na mesa que discutiu « o lócus fronteiriço, identidade e alteridade » e onde, de uma certa forma, Werá Kuaray esteve presente.

O padre Montoya, jesuíta, autor do primeiro dicionário guarani no séc. XVII, vai na mesma direção, quando escreve que ali onde tem um dicionário bilingue, portas são abertas para resolver conflitos e tensões. Conclui minha fala citando o Diccionario Trilingue del Mercosur Español, Guarani, Portugues, editado em 2011, em Assunção. Trata-se não só de uma produção lexicográfica, mas de uma ponte ou pelo menos de uma pinguela, para conhecer quem reside no outro lado da fronteira linguística.

A memória de uma longa história de contato está também documentada no dicionário de português de Antônio Houaiss que registrou 228 mil verbetes, dos quais cerca de 45 mil são palavras oriundas de línguas indígenas. A língua guarani, por seu lado, também incorporou marcas do português, como uma evidência de que as fronteiras entre línguas em contato são porosas. Transitar por elas é mais saudável do que um diagnóstico equivocado de autismo emitido por guardiães de fronteira que se recusam em abrir a cancela. Foi isso que Werá Kuaray veio fazer na Associação Junguiana do Brasil convidado por Jorge Antônio Jorge, Renata Wenth, Lourdes Sanchez, Suzana Lyra e demais membros da Comissão Organizadora do XXIV Congresso.

Fotos de: Tupã Ray (o cineasta Alberto Alvares), de Paula Boechat e outra retirada da página do XXIV Congresso da AJB

Ver tb. OS XERIFES DA LINGUA - http://www.taquiprati.com.br/cronica/918-os-xerifes-da-lingua

 

 

 

 

 

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30 Comentário(s)

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Teca Maher comentou:
10/09/2017
Bessa, veja matéria cujo link me foi enviado por uma aluna... Também uma criança proveniente de uma família de refugiados sírios foi diagnosticada como autista por uma professora! Êita...http://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,autista-nao-imigrante,70001705273
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Luiz Paulo Moita Lopes comentou:
06/09/2017
Òtimo, Bessa. Essa invenção chamada língua é um limão azedo!
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Teca Maher comentou:
06/09/2017
Maravilha de crônica, Bessa! Conclamo a todos os colegas a tiraram um tempinho para conhecer a saga (e o drama!) de Werá Kuaray, um pequeno Guarani, por escolas brasileiras...
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Venize Ramos Rodrigues (via FB) comentou:
03/09/2017
Brilhante. Leitura imperdível para compreender as línguas indígenas como ampliação e reconhecimento dos muitos mundos do nosso universo.
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Ligia Aquino (via FB) comentou:
01/09/2017
Texto muito bom. Trouxe hoje para minha turma da Pedagogia na UERJ. Fiz a leitura como quem conta uma história. Ao final, primeiro houve um silêncio, em seguida abriu-se bela conversa, com muitas indagações e reflexões. Muito obrigada por ter compartilho seu texto.
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Cordelia Fourneau de Mello Mourão comentou:
31/08/2017
Obrigada, Professor Bessa, para este relato impressionante de errorismo de Estado ! Os índios tem direito, por lei, ao ensino diferenciado, seja cada criança indígena tem o direito de ser ensinada na língua dos seus pais. A língua é a base da cultura e temos que proteger a biodiversidade cultural, que nos permite jogar luz sobre a cultura dominante, que se deixar estrangulara tudo, até a ultima criança e a ultima arvore.
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Vanise Valiente comentou:
30/08/2017
Nos mostrar o quanto não sabemos nada sobre diferenças e respeito às pessoas que não são como nós!
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Nelson Peixoto comentou:
29/08/2017
Estou contigo e te acompanho fico feliz com teu profetismo!
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Sandra Silva comentou:
29/08/2017
Nossa "escola" está doente, crônicamente doente.
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Claudio Costa (via FB) comentou:
28/08/2017
O Relato do site é impressionante: de um lado, uma escola que "abriu pontes". Dos outros, a segregação da diferença e o rótulo sob a capa do discurso "científico"... A "normatização" é cruel.
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Claudio Costa (via FB) comentou:
28/08/2017
Os critérios/sintomas diagnósticos só valem quando não podem ser atribuídos a diferenças culturais, certos acometimentos orgânicos, falta de estimulação adequada ou a comportamentos próprios da idade da criança. Atualmente, o Autismo está sendo descrito assim: "A palavra “autismo” vem diretamente do idioma grego, significando “si mesmo”, e entrou na Psiquiatria para nomear comportamentos de “ensimesmamento”, característica de alguns tipos de esquizofrenia. Com o tempo, passou a nomear o quadro psiquiátrico caracterizado pela presença de sintomas em três áreas de funcionamento: prejuízo qualitativo da interação social, prejuízo da comunicação e padrões repetitivos e estereotipados de comportamento ou interesses muito restritos. Esses sintomas variam de gravidade, ocasionando maior ou menor dependência. Já foram chamados de Transtornos Invasivos de Desenvolvimento e, atualmente, a classificação americana os denomina de Transtornos do Espectro Autista (TEA), classificados de acordo com o grau de prejuízo. Consequentemente, há atraso na interação social, associado a comportamentos estereotipados, presença de rotinas rígidas e rituais e, quase sempre, dificuldades em iniciar ou manter conversas sociais. O diagnóstico, comumente, pode ser feito até os três anos de idade, desde que a família e profissionais da Saúde percebam sinais precoces, como evitação do olhar, desinteresse pelo entorno, indiferença ou recusa ao contato corporal." (Cito um trecho de entrevista minha publicado na Revista Encontro Gastrô, ago/2017)
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Alicia Mercado-Harvey comentou:
28/08/2017
Não consigo entender o erro no diagnóstico nem no Brasil nem no Japão. Os sintomas do autismo são bem claros e só uma parte tem a ver com falta ou retraso no desenvolvimento da linguagem.
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Ana Letícia de Fiori (via FB) comentou:
28/08/2017
Dá pra puxar vários fios desse relato. Vou desenrolar uns aqui. O primeiro tem a ver com o papel da escola no projeto de Estado nação para padronizar um idioma oficial e um currículo unificado. Quando se pensa em bilinguismo nas escolas, pensa-se no ensino de uma língua estrangeira como habilidade para o mercado de trabalho, e não nos usos de uma língua materna mesmo que, no caso dos indígenas brasileiros, este seja um direito prescrito na constituição de 88 (outros casos para pensar aqui são os das crianças surdas, das colônias de imigrantes onde a primeira língua ainda é o japonês/italiano/alemão/etc, os casos das fronteiras e os casos dos refugiados/imigrantes recentes). As professoras do Infantil e do Fundamental I tem um enorme papel nisso. O segundo tem a ver com as políticas para coletivos indígenas em contexto urbano que, segundo o IBGE de 2010, passam de 300 mil no Brasil. Isso tem a ver com os DSEIS, com a educação diferenciada, com acesso aos órgãos e projetos do estado, com a política de alguns órgãos de considerar que "índios desaldeados" já estão "assimilados" e por aí vai. Os profissionais da Educação não fazem a menor ideia de que podem vir a ter uma criança indígena em suas turmas e quando acontece, varrem o problema para baixo do tapete. AS crianças indígenas ainda hoje tem que esconder suas origens para não sofrer discriminação e violência nas escolas e lhes é reforçado o tempo todo que sua "incapacidade" de aprender tem a ver com sua etnia. É de racismo que estamos falando. O terceiro tem a ver com a medicalização da educação e a proliferação de diagnósticos feitos sem estrutura e sem acompanhamento algum, ao sabor da conjuntura da instituição de ensino. Não é à toa que Werá foi chamado de "autista". Para fazer um paralelo provocativo, tem essa notícia sobre crianças brasileiras filhas de dekasseguis no Japão http://www1.folha.uol.com.br/.../1895771-criancas... O quarto tem a ver com concepções de circulação de conhecimento e educação. É só pensar como na primeira escola as crianças aprendem com o colega uma melodia guarani e nas outras escolas são separadas dele porque o vetor de aprendizado tem que ser a professora a serviço do currículo oficial. Existem pesquisas sobre inclusão de crianças surdas que trazem situações análogas. Crianças surdas que cresceram com libras espontaneamente ensinando colegas ouvintes e crianças surdas ostracizadas em salas de aula.
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Ierece Barbosa comentou:
28/08/2017
Muito bom. A escola ainda considera a diferença como deficiência.
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Rosa Helena Mendonça comentou:
28/08/2017
Lúcido como sempre. Que triste esse abandono: dos índios e suas culturas, dos professores...
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Deva Karuna F. Andrade comentou:
28/08/2017
Bessa, lindo texto, em todos os sentidos! To emocionada...obrigada!
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Cica Fittipaldi (via GB) comentou:
28/08/2017
Gostei muito desse post e do resumo da sua participação nesse evento! Escrito com muita clareza. Obrigada,
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Mary Gaspari Puri comentou:
28/08/2017
Lembro bem dos pais dele sofrendo com essa história. "A ignorância é vizinha da maldade", já dizia Renato Russo.
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Andrea Bastos comentou:
28/08/2017
Esse caso de racismo indígena deve ser levado à justiça, mesmo que essa seja racista e burguesa, esses "profissionais" criminosos não podem ficar impune!!!
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Luciana Galante comentou:
28/08/2017
Que texto fantástico. Já compartilhei com amigos e familiares que trabalham na área da educação.
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Isa Silveira comentou:
28/08/2017
"Autismo" é tudo aquilo que não se enquadra em uma instituição de ensino, o aluno é novo, está com problemas familiares, cultura diferente, etc e etc é associado ao autismo para que a escola não seja responsabilizada por um fracasso que é do sistema de ensino.
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Jussara Olinev comentou:
28/08/2017
Absurdo, cruel e criminoso! É preciso acabar logo com isso!
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Uanderlei Weraxunu comentou:
28/08/2017
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Ana Silva comentou:
27/08/2017
Bravo!!!Uitos aplausos por tua sensibilidade e por esse texto de denúncia. As escolas devem abraçar e conviver com as diferenças e não trata-la como doença. Maravilha de texto!!
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Ari Loureiro comentou:
27/08/2017
Precisamos ser plurais! Excelente texto, aprendo a cada dia mais e mais com você José Bessa.
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Graça Helena Souza (via FB) comentou:
27/08/2017
Bessa,que bom saber que esteve no encontro junguiano!! A sua intervenção remete a filosofia primeira de Lévinas - a ética.E podemos dizer,sim,podemos afirmar que näo existe rosto sem língua e vice versa.Se tiver meios,quando for possível,me envia sua fala,caso a tenha também por escrito.Vou amar ler!!
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Kerexu Yxapyry comentou:
27/08/2017
Que lindo. Isso é o real retrato de muitos Werá Kuaray.
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Ceane Simões (via FB) comentou:
27/08/2017
Por uma escola onde haja mais "Brilho do Sol" cruzando as fronteiras para todxs.
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Felipe José Lindoso comentou:
26/08/2017
Bessa, reproduzo aqui o comentário que fiz na minha reprodução de seu post, para o conjunto de seus leitores: Um impressionante e comovente relato do Bessa sobre as dificuldades de atravessar as "fronteiras" linguísticas nas escolas. Mais triste ainda é saber que isso corre paralelo a iniciativas muito importantes do MEC nas escolas situadas nas terras indígenas, onde há vários anos a educação bilingue é norma. E com muito sucesso. E gostaria de lembrar que uma das primeiras iniciativas do gênero foi feita no Amazonas, quando a Freida Bittencourt foi secretária de educação, e isso já faz muito tempo. Outra iniciativa similar, digamos, é a exigência de que os livros didáticos comprados pelo MEC sejam acompanhados de CDs com o mesmo texto em formato acessível (Daisy), para os deficientes visuais. Pedro Millet, a Fundação Dorina Nowill, me disse uma vez que essa medida já teve consequências importantes no aumento do número de deficientes visuais que terminam o ensino médio e prestam vestibular (e passam). Algo que ates só era possível para aqueles com recursos suficientes para ter alguém que fizesse as marcações nox textos (e os orientassem para mostrar onde estavam). A educação bilingue é pauta das comunidades indígenas há muito tempo, e vem avançando. É hora, portanto, de que essa preocupação e reivindicação seja estendida para as escolas nas cidades. Começando por exigir que o problema seja incluído no currículo nacional básico e passando pelo fornecimento do material didático nos idiomas nativos para escolas onde, eventualmente, as crianças indígenas estejam matriculadas nas cidades fora das terras indígenas. E, é claro, formação adequada dos professores (o que é a parte mais difícil). O relato comovente da saga do Werá Kuaray deve servir de mote para as reivindicações. Da minha parte, incluirei isso sempre que falar sobre os programas de acessibilidade.
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gerusa pontes de moura comentou:
26/08/2017
Me lembro bem do descaso e da falta de competência de profissionais que deveriam ser os primeiros a perceberem que o que estava errado, era um sistema de ensino e de uma escola que só atende a poucos, isso sem falar da infeliz ideia de achar que a diversidade é um problema, quando na verdade é ela que nos leva a repensar a educação que cada um de nós de fato, necessita para seguir um mundo melhor.
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