CRÔNICAS

DESAPRENDENDO NA ESCOLA

Em: 10 de Novembro de 2013 Visualizações: 16787
DESAPRENDENDO NA ESCOLA

Um professor Kaxinawá me contou da visita que a educadora Nietta Monte fez à sua aldeia, no Acre, há muitos anos, quando ela conversou durante horas com um velho sábio. Enquanto ouvia as narrativas tradicionais saborosas e cheias de vida que circulam em língua indígena, ela viu passar um jovem, só de calção, com uma toalha no ombro, caminhando em direção ao igarapé Nietta, então, perguntou ao velho:

- Este menino aí conhece as histórias que o senhor me contou? Ele fala a língua Kaxinawá?

O velho respondeu:

- Não, minha filha! Coitadinho! Ele não sabe nada. É que ele frequentou a escola.

A escola, para os índios, durante muito tempo foi o lugar onde se desaprendia todas as coisas que sabiam sobre eles próprios. Se não me falha a memória, minha amiga Nietta descreveu essa experiência, com outras palavras e maior competência, em algum livro ou artigo, mas quem também me contou foi um aluno do Curso de Formação de Professores Indígenas, onde ministrei, em três ocasiões diferentes, módulos de História da Amazônia Indígena, convidado pela Comissão Pro-Indio do Acre (CPI/AC).

Para quem, como nós, trabalhamos com a escola e nela acreditamos, é terrível essa imagem de uma escola que des-ensina, de um lugar aonde os alunos desaprendem língua, tradição, saberes. Se não tivesse frequentado a escola, o menino dominaria língua e conhecimentos transmitidos através da pedagogia da oralidade, que ele desaprendeu dentro da instituição. Em muitos casos - é preciso reconhecer - a escola fez com extraordinária eficiência aquilo que a senadora Kátia Abreu sonha: eliminar muitos povos indígenas do mapa do Brasil.

Fábrica de brancos

No Brasil durante cinco séculos, a relação dos índios com a escola foi sempre tensa e conflituosa. Embora seu alcance tenha sido bem restrito, essa escola para índios, inaugurada com a catequese, atravessou o Império e a República. O estado neo-brasileiro herdou o modelo de escola que reprimia as línguas indígenas e excluía os conhecimentos tradicionais, as narrativas orais e os processos próprios de aprendizagem. Essa escola nunca contou com um único professor indígena.

Para os índios, a escola foi historicamente devoradora de identidades, apagadora de memórias, exterminadora de línguas. Aliás, num mito andino, a escola é apresentada como um monstro que maltrata e engana as crianças com mentiras. 

Há alguns anos, pedi a meus alunos indígenas do Programa Kuaa Mbo'e de Formação de Professores Guarani da Região Sul que desenhassem a escola onde estudaram. Cada um dos 80 alunos fez o trabalho pedido. Um deles, Vanderson, inteligentissimo, criativo, crítico, revelou-se um grande artista do traço. Ele morava então na aldeia Pinhalzinho (PR), mas havia nascido em Laranjinha, onde ninguém mais falava guarani, porque a escola não-indígena já havia cumprido seu papel devastador de des-ensinar a língua.

O desenho do Vanderson é uma obra prima. Trata-se de uma história em quadrinhos com muito movimento que acontece na sua escola. Ele desenhou um grande prédio, com uma chaminé, que ocupou toda a folha de papel. Escreveu na fachada, com letras grandes: FÁBRICA DE FAZER BRANCOS. Do lado esquerdo, na parte inferior, frente à porta de entrada, uma fila de crianças indígenas com cocar e tanga. Um agenciador com um megafone grita:

- Entrem, entrem, crianças!

No quadro seguinte, as crianças que ingressaram encontram um cesto onde está escrito: "Deixem seus adornos aqui". As crianças se despem, então, do símbolo externo estereotipado de suas identidades. Prosseguem seu caminho em direção a um chuveiro, onde tomam banho de água raz ou água sanitária para embranquecer. Daí, saem para outro espaço, onde lhes aguarda um laboratório REFORMADOR DE IDEIAS. manipulado por um branco que controla a alavanca e o painel. Lá, colocam na cabeça das crianças um capacete com fios para realizar uma lavagem cerebral, tirando lá de dentro tudo que diz respeito à sua cultural de origem e entupindo-a com você já sabe o quê. Aquele processo tão bem definido por Carlos Brandão Rodrigues, quando se diz ao índio: "A minha educação é a minha. A tua educação é a minha". 

Depois de mudados por dentro e por fora, as crianças passam por uma engrenagem sofisticada, chaplinesca, de "Tempos Modernos", com rodas dentadas, que parecem máquina de moer carne. Os coitadinhos são triturados, moídos, pulverizados e reformatados. Saem de lá para uma sala com guarda-roupa, onde vestem calça, camisa, sapato. No outro lado da página, no canto inferior, fica a porta de saída. O agenciador saúda as crianças que saem, exclamando jubilosamente: "Seja bem vindo, cidadão". Mas Vanderson revela o que ele está pensando de verdade:

- Deu certo! Eles viraram brancos!  

Embaixada estrangeira

Foi contra essa fábrica de fazer brancos que, em princípio, foram criadas as escolas bilingues interculturais garantidas pela Constituição Federal de 1988. Pela primeira vez na história do Brasil, o estado nacional, pressionado pelo movimento indígena e por seus aliados, manifestou vontade política de reconhecer e valorizar as línguas e culturas indígenas e de sepultar a velha escola para índios, criando um novo modelo de escola de índios, bilingue, intercultural, específica e diferenciada.

Nos últimos 25 anos se estruturou dentro do sistema nacional de educação um sub-sistema escolar indígena, do qual fazem parte, hoje, cerca de 2.700 escolas, com 11 mil professores (10 mil deles são índios) que dão aula para cerca de 205.000 alunos no ensino fundamental e médio, segundo o Censo Escolar de 2010 elaborado pelo INEP - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais. A escola indígena é, talvez, a única coisa nova na educação brasileira. Mas como disse Jussara Gruber - uma vida dedicada aos Ticuna - "a escola indígena não precisa ter 'cara' de escola". Um pouco mais de 66% das escolas indígenas no Brasil são bilíngues e interculturais, seja lá o que isso signifique. Umas funcionam muito bem, como a Escola Tuyuka. Outras, mais ou menos. Outras ainda vão mal das pernas.  

Cabe, então, perguntar: Qual o bilinguismo e a interculturalidade praticado? Como é que os índios veem hoje essa nova escola e qual a imagem que ficou da velha escola que legalmente deixou de existir? Registrei ao longo dos anos, nos cursos de formação de professores bilíngues que ministrei em 14 estados do Brasil, algumas histórias que revelam a imagem que tem os índios da escola.

Bartomé Meliá - uma vida inteira dedicada aos guarani - escreveu: "a interculturalidade é uma teoria bonita e uma proposta racional, ao se constituir também como pedagogia do diálogo e exercício de superação de diferenças sem eliminá-las, inclusive potencializando-as. A interculturalidade tem sido, no entanto, na prática, um rotundo fracasso. E precisamos perguntar: por que?". Para Meliá, "a farsa" engloba uma área particular da interculturalidade que é o bilinguismo: "Sem bilinguismo, ao menos intencional, não existe interculturalidade. O fracasso de um leva ao fracasso da outra".

Os avanços significativos não são ainda compartilhados por todas as escolas indígenas. Um controle rigoroso por parte de zelosos funcionários das Secretarias Municipais e Estaduais de Educação e um desconhecimento de muitos índios sobre seus direitos nesse campo, acabam evidenciando as limitações dessa escola.

"A escola dentro da aldeia é como se fosse uma embaixada de outro país". Foi assim que Leonardo Werá Tupã, professor bilingue guarani definiu a Escola Indígena da aldeia Massiambu, Palhoça (SC), numa entrevista para a dissertação de mestrado de Helena Alpini. A imagem, de forte valor explicativo, sinaliza para o fato de que embora a escola esteja localizada em território Guarani, quem tem controle sobre ela não é a comunidade local, mas o Estado nacional brasileiro, da mesma forma que a embaixada de um país estrangeiro é inviolável, conforme a Convenção de Viena.

Como escreveu o antropólogo José Augusto, o Guga, "a escola não é dos índios, é do Estado que constrói prédios, dá merenda, paga salários dos professores. É uma instituição de fronteira, de diálogo entre instituições sociais, instância de comunicação, campo de disputas, de efervescência política, de luta no plano simbólico".

A imagem e os avanços da escola indígena - esse foi um dos temas do I Congresso Internacional América Latina e Interculturalidade organizado pela UNILA - Universidade Federal de Integração Latinoamericana nos dias 7, 8 e 9 de novembro, em Foz de Iguaçu, dentro do Parque Tecnológico de Itaipu, de onde escrevo. Envio este resumo da minha fala para os leitores do Diário do Amazonas que devem ter percebido que no campo da educação indígena, como poetou César Vallejo em Los Nueve Monstruos: "Hay hermanos, muchísimo que hacer". 

 

 P.S. Charge do parceiro Fernando Assaz Atroz:
http://assazatroz.blogspot.com/

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43 Comentário(s)

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Fátima Lourenço comentou:
08/05/2017
Bom mesmo! Em um evento no dia 27, na UFMG, a professora Célia Xacriabá contou que quando chegava no território indígena o pajé dizia que devia desligar a camera, tirar o caderno, porque se ela queria aprender tinha que ser com seu pertencimento, aprender com a oralidade. Ela diz que é muito forte o dar conta do código, se apropiar do lado de cá, sem perder a étnica, a essência, do lado de lá! Que é um desafio ser indígena dentro da Academia.
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Sandra Benites comentou:
08/05/2017
Xe wy pé ma naxembotawyi Juruá kuery Escola!!
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Paulinha Regina Azevedo Silva comentou:
07/05/2017
Lembro do dia em que nos mostrou este desenho em aula...
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Jane Santos comentou:
07/05/2017
Lendo hoje \"Diploma de Brancura \". O desenho resume.
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Nelson Peixoto comentou:
07/05/2017
À grande Equipe de professores da Vila Educadora das Aldeias Infantis para a Proteção Infantil que já se despiram do aprendizado negador de suas origens e ensaiam práticas revolucionárias respeitadoras e não atuam com o maquinário do beabá com o mudismo das criancas. Vai uma postagem que partilho do José Bessa, considerando a analogia e sua aplicação ao cenário cultural já urbano destribalizado
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Paulo Tássio comentou:
23/11/2014
Há experiências outras. Há escolas indígenas que não são interculturalizadas, outras que são, no entanto, são escolas indígenas. A escola indígena é da maneira que o povo em questão a define. Há escolas indígenas, por exemplo, que não querem que sua cultura entre nela, pois acreditam que há outras instâncias em suas comunidades que dão conta da cultura. Há outras escolas com etnias oriundas da etnogênese que o seu papel está na "fabricação" do indío, uma vez que para fazerem parte de uma discursividade indígena de representação nacional, precisam se reinventar, entrar no jogo. O texto está frágil e perigoso, José Bessa.
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Caio Nduzi (Blog Amazonia comentou:
17/11/2013
Ola caro leitores e professor Bessa! Meu nome é Carl, nativo aqui do Brasil, sou do povo Laklãnõ. Li o texto e todos os comentários, alguns muitos pejorativos, sem pé né nem cabeça, mas enfim cada um é livre pra expressar seu comentário e cá estou para também expressar minha opinião sobre a escola 'a fabrica de fazer não indígenas' que por muitos anos fez esse papel como ninguém e que ainda vem produzindo esse terror em nossas terras indígenas, se aliando com vários parceiros, principalmente as igrejas cristas, juntas com o estado e principalmente a mídia pra iludir a massa e dizer que quem não quer mais seguir a tradição são os indígenas, assim podem tirar as terras, afinal esse que é o verdadeiro ouro que eles querem 'tudo pelo agronegócio' afinal os índios não contribuem para o chamado 'ordem e progresso'. Não queremos parar no tempo queremos ser valorizados em todos os ambientes e principalmente dentro das escolas indígenas porque diferente do que muita gente pensa temos sim nossa literatura, nossos contos, nossa ciência, nossa medicina. É muito fácil dizer que então é só manter a tradição, porque não foram seus avós que foram obrigados a vestir roupa, falar português e depois irem pra igreja pra agradecer a 'deus' porque eles estão sendo salvos do demônio e que tudo que estavam fazendo é errado e inferior e que se não pararem com isso serão castigados aqui e por toda a eternidade. Depois de 1988 a educação indígena especifica e diferenciada virou lei, mas e dai? não mudou nada e não mudara se nós povos indígenas não fazermos isso, penso que nem tudo esta perdido e que essa escola intercultural é sim possível mas depende de nós professores indígenas fazermos isso, parar de aceitar o que eles querem impor sem dialogar, hoje os tempos são outros, mas parece que tem muita gente que parou no tempo e que ainda se baseia na imagem do índio dos livros de história que ele viu na escola, quele de tanga e pena na cabeça, para dizer então que não existe mais índios e que estão todos aculturados. Hoje a gente não pede mais a gente exige essa educação bilíngue intercultural e diferenciada, mas isso de nada adianta se não tivermos espaço para praticar esse conhecimento que não necessariamente precisa ser em uma sala de aula fechada como a maioria das pessoas pensam que deve ser uma escola, pra gente pescar, tirar lenha, rezar, fazer armadinha, escutar história, e tantas outras coisas que fazem parte dos costumes de cada povo, é sim aula, isso que é aprendizado, não o que o MEC tenta impor. Para dai depois reproduzir a clássica pergunta (ou exclamação) muita terra pra pouco índio!? Quando cada leito de rio secar, toda arvore for derrubada, todos os animais forem empalhados, ai se lembraram da edução tradicional indígena, que sempre ensinou o verdadeiro sentido da vida valorizar as coisas mais simples e importantes para viver.
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Gilberto Sartori (Blog Amazonia) comentou:
17/11/2013
Creio que unica forma de fazer o índio sair do tribalismo , é a cultura , o conhecimento, a atualização com o mundo moderno absolutamente dinâmico . O articulista me parece um verdadeiro ' dinossauro' do conhecimento . Gostaria de saber se ele concordaria que os índios, continuassem canibais se isso fizesse parte da sua cultura ? Houve um tempo . durante a DITADURA VARGAS , que falar qualquer idioma estrangeiro dava cadeia. Acho muito bom que os índios aprendam a falar português e seja integrados à nacionalidade brasileira ,antes que americanos , ingleses,franceses e outros tantos internacionalizem a amazônia . Acho que o Sr. Articulista está a serviço dessa gente.
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Evandro comentou:
14/11/2013
Brasil com sua política opressora de desalienação cultural, limpeza étnica, extermínio silencioso e além outros termos que não recordo no momento.
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Caio Nduzi comentou:
12/11/2013
Ola caro leitores e professor Bessa! Meu nome é Carl, nativo aqui do Brasil, sou do povo Laklãnõ. Li o texto e todos os comentários, alguns muitos pejorativos, sem pé né nem cabeça, mas enfim cada um é livre pra expressar seu comentário e cá estou para também expressar minha opinião sobre a escola 'a fabrica de fazer não indígenas' que por muitos anos fez esse papel como ninguém e que ainda vem produzindo esse terror em nossas terras indígenas, se aliando com vários parceiros, principalmente as igrejas cristas, juntas com o estado e principalmente a mídia pra iludir a massa e dizer que quem não quer mais seguir a tradição são os indígenas, assim podem tirar as terras, afinal esse que é o verdadeiro ouro que eles querem 'tudo pelo agronegócio' afinal os índios não contribuem para o chamado 'ordem e progresso'. Não queremos parar no tempo queremos ser valorizados em todos os ambientes e principalmente dentro das escolas indígenas porque diferente do que muita gente pensa temos sim nossa literatura, nossos contos, nossa ciência, nossa medicina. É muito fácil dizer que então é só manter a tradição, porque não foram seus avós que foram obrigados a vestir roupa, falar português e depois irem pra igreja pra agradecer a 'deus' porque eles estão sendo salvos do demônio e que tudo que estavam fazendo é errado e inferior e que se não pararem com isso serão castigados aqui e por toda a eternidade. Depois de 1988 a educação indígena especifica e diferenciada virou lei, mas e dai? não mudou nada e não mudara se nós povos indígenas não fazermos isso, penso que nem tudo esta perdido e que essa escola intercultural é sim possível mas depende de nós professores indígenas fazermos isso, parar de aceitar o que eles querem impor sem dialogar, hoje os tempos são outros, mas parece que tem muita gente que parou no tempo e que ainda se baseia na imagem do índio dos livros de história que ele viu na escola, quele de tanga e pena na cabeça, para dizer então que não existe mais índios e que estão todos aculturados. Hoje a gente não pede mais a gente exige essa educação bilíngue intercultural e diferenciada, mas isso de nada adianta se não tivermos espaço para praticar esse conhecimento que não necessariamente precisa ser em uma sala de aula fechada como a maioria das pessoas pensam que deve ser uma escola, pra gente pescar, tirar lenha, rezar, fazer armadinha, escutar história, e tantas outras coisas que fazem parte dos costumes de cada povo, é sim aula, isso que é aprendizado, não o que o MEC tenta impor. Para dai depois reproduzir a clássica pergunta (ou exclamação) muita terra pra pouco índio!? Quando cada leito de rio secar, toda arvore for derrubada, todos os animais forem empalhados, ai se lembraram da edução tradicional indígena, que sempre ensinou o verdadeiro sentido da vida valorizar as coisas mais simples e importantes para viver.
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Nanbla Gakran comentou:
12/11/2013
Adorei mas vou fazer meu Parecer como Cientista Social e Linguista sobre isso. texto
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Camila Jácome (via FB) comentou:
12/11/2013
Muito bom o texto. outro dia o davi kopenawa foi a UFMG e teve um debate e ele disse que o grande perigo das formaçoes interculturais era justamente elas repetirem o projeto historico do SPI, de juntar várias culturas e linguas numa só sala e todo mundo receber a mesma formação, sem considerar as enormes diferenças de cada grupo. eu achei isso muito bom para pensarmos, porque a universidade e as escolas indigenas hoje tem que se adequar as demandas das multiplas diferenças. Voce deveria escrever mais e publicar, seu texto tem muito a dizer para quem trabalha com educação indigena. parabens mesmo!
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Eziel Ndilli (via FB) comentou:
12/11/2013
Muito bom o seu texto meu amigo,pq se para essas q pessoas q pnsam q tr uma escolas nas reservas indigenas sao pra fazr brancos? Oq as escolas nas areas ond naum sao terras indegenas torna as pessoas? Pessoas ignorantes,tolas e sem cultura,chega gnt,ja vivemos no seculo 21 e ainda existe pessoas q pnsam como se estivesse a muitos seculos atras? Pessoas q pnsam q pra ser indio tm q andar pelado com pena na kbca e fazr a danca da chuva? Isso so acontece em historias infantis e paream d pensar como crianca,naum querem ser d alto nivel,entam hajam como se estivem nesse mesmo nivel e pensem como pessoas desse mesmo nivel.
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Cristiane Salvatore comentou:
12/11/2013
Escola não ensina a ser índio ou branco. Quem ensina a ser índio é a família e a sociedade em que a criança vive, assim como honestidade, apego às tradições, etc. Educação sempre pode melhorar, e deve ser analisada, como tudo, com espírito crítico. Muito confortável, a posição do Pajé, esperando que a escola conte as histórias do povo.
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Marcelo Sant'Ana Lemos comentou:
11/11/2013
Oi Bessa, fiquei com vontade de conhecer a obra prima do Vanderson! Seria muito bom transformar publicar esses quadrinhos! Gostei muito da crônica.
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Daniele Lopes comentou:
11/11/2013
Fico feliz que os índios estão conquistando o seu espaço que é de direito e a escola faz parte disso!!!!!!!!!!!!!!
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Henrique Cavalleiro comentou:
11/11/2013
O MEC e as ONG's não gostam de divulgar que na FUNAI tem uma equipe da malucas-beleza, como Izabel e Eliza, que apoiam projetos especiais que tentam fazer com que a educação indígena seja realmente diferenciada, dentro da visão de que educação não se limita à escolarização....e o pior é que a direção da FUNAI só apoia depois de muito murro em ponta de faca.
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Combate Racismo Ambiental (via FB) comentou:
11/11/2013
A Funai tem gente muito boa, sim, lutando pelas coisas nas quais acredita e defendendo os povos indígenas. Sei disso muitíssimo bem, porque conheço algumas pessoas assim. E é com elas (vocês?) que contamos, neste momento em que a vontade fica entre jogar bombas em alguns lugares precisos ou ir para outro planeta!
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Maria Eliza Leite (via FB) comentou:
11/11/2013
Henrique, e a Funai ainda desfalcou a pequena equipe, tirou o maluco beleza e só ficamos nós. E alguns malucos e malucas das Crs.
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Eliane Araujo comentou:
11/11/2013
Parabéns pelo artigo. Realmente, a escola indígena, mesmo se caracterizando comunitária, ou seja, ser fruto dos anseios da comunidade e a seus projetos de sustentabilidade territorial e cultural, ainda hoje é concebida como uma instituição estranha, não fazendo parte da vida da comunidade indígena. Contato de Eliane Araujo
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gerusa pontes de moura comentou:
11/11/2013
As pessoas precisam parar com essa mania de achar que a oralidade só é importante para os nossos irmãos indígenas, o que seria de nós sem o vasto cancioneiro popular que tanto encanta os corações e que são passados através da oralidade, precisamos sim aprender com nossos irmãos o valor desta forma de passar e manter vivo os conhecimentos e as tradições, o que falta em nós é essa coragem de lutar por nossa própria identidade, concordo plenamente que nossa escola desensina e que cada vez mais se distancia do real papel dela.
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Portal Cultura em Movimento comentou:
11/11/2013
Lembram daquela máxima: "As crianças continuam aprendendo, apesar da escola"? Então, leiam a importante reflexão de BESSA FREIRE. Ela tem muito a contribuir para a prática educativa em espaços tanto intra quanto interculturais. Boa leitura! http://cultura-em-movimento.net/?xg_source=msg_mes_network
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Monica K. Crespo (Blog da Amazonia) comentou:
11/11/2013
Escola não ensina a ser índio ou branco. Quem ensina a ser índio é a família e a sociedade em que a criança vive, assim como honestidade, apego às tradições, etc. Educação sempre pode melhorar, e deve ser analisada, como tudo, com espírito crítico. Muito confortável, a posição do Pajé, esperando que a escola conte as histórias do povo.
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Cristiane Salvatore comentou:
12/11/2013
Monica, trabalho há pouco tempo com educação escolar indígena, mas até onde sei os índios não precisam que a escola ensine o que eles já sabem. Nenhum brasileiro aprende a falar português na escola brasileira, ao contrário, para entrar na escola é preciso que já saiba falar portugues. A criança brasileira vai à escola para aprender, entre outras coisas, a LER e ESCREVER em português, lingua que ela já fala. O que nós reivindicamos não é que a escola ensine os indios a falar suas línguas, a conhecer suas tradiçoes, que isso eles já sabem. O que se exige é que a escola USE a lingua indigena como língua de instrução. Quando a escola faz aquilo que o Internato salesiano fez até 1988 no Rio Negro, ela está desensinando. Os salesianos: castigaram, puniram, reprimiram os indios que falavam sua lingua na escola. Aí é desensinar. Deu pra entender?
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Cristiane Salvatore comentou:
12/11/2013
Monica, trabalho há pouco tempo com educação escolar indígena, mas até onde sei os índios não precisam que a escola ensine o que eles já sabem antes de entrar na escola. Nenhum brasileiro aprende a falar português na escola brasileira, ao contrário, para entrar na escola é preciso que já saiba falar portugues. A criança brasileira vai à escola para aprender, entre outras coisas, a LER e ESCREVER em português, que ela já fala. O que nós reivindicamos é que a escola não faça aquilo que o Internato salesiano fez até 1988 no Rio Negro: castigar, punir, reprimir os indios que falasem sua lingua na escola. Deu pra entender? Escola não ensina a ser índio ou branco. Quem ensina a ser índio é a família e a sociedade em que a criança vive, assim como honestidade, apego às tradições, etc. Educação sempre pode melhorar, e deve ser analisada, como tudo, com espírito crítico. Muito confortável, a posição do Pajé, esperando que a escola conte as histórias do povo.
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Clovis Brighenti comentou:
11/11/2013
Caro Bessa. muito oportuna essa sua análise. Em 2001 os Guarani definiram, durante encontro nacional organizado por diversas entidades em Florianópolis, que deveria ser respeitada as comunidades que não desejavam escolas. No entanto, a legislação brasileira trata a escola como condição obrigatória, ou seja não é direito, é dever. Me faz pensar que se no período colonial o argumento era de que "fora da Igreja não havia salvação", hoje o argumento é: "fora da escola não há salvação".
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Sonia Mariza (via FB) comentou:
10/11/2013
Uma contribuição à pouca ideia que muitos fazem sobre a questão indígena. Cito o link e um trecho dessa crônica publicada hoje pelo José Bessa: "A escola dentro da aldeia é como se fosse uma embaixada de outro país"
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Rosemere Pires dos Santos (via FB) comentou:
10/11/2013
Perfeito, como sempre, professor Bessa. Hoje ainda vivemos no país da maquiagem, em tudo, infelizmente. Abraços.
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Bebel Gobbi (Blog Combate Racismo Ambiental) comentou:
10/11/2013
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Maria Eliza Leite comentou:
10/11/2013
Muito bom Bebel e infelizmente muito verdadeiro.
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Maria De Lourdes Elias Elias (via FB) comentou:
10/11/2013
profesor até hoje fico lendo o que o senhor escreveu sobre minha dissertação obrigada pela força. continuo na luta pela preservação de nossa língua terena e com certeza ela não vai acabar porque nós estamos aki vivos.ela é muito importante para continuar nossas lendas, mitos e historia. abraços. Maria de Lourdes da etnia terena
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Eliamara Lima (via Blog Combate Racismo Ambiental) comentou:
10/11/2013
Quando leio seus relatos, transformo em imagens e parece realmente algo apocaliptico. Algo parecido com o III Reich. Sofro por pensar que um dia isso acontecera conosco, ou ja esta acontecendo. Quando disserem que podemos mais comer farinha, que o jaraqui frito nao é fashion, e tirarem o tucuma dos nossos pratos. Ja nos sentimos selvagens por degustar quelonios, e nos encontramos as escondidas na casa de um cumplice para fazer tal banquete. E quando quiserem tirar o chiado do nosso sotaque? Que ser da sopa de piranha preta e do encarnado dos nossos batons? Sinto a pressão quando converso com alguém por minutos, seja pessoal e virtualmente e basta mostrar algum tipo de conhecimento erudito para tascarem a pergunta infame: mas voce não é Amazonense, de onde voce é? Respiro fundo, conto até zero e respondo: sou mais que isso, sou caboquinha mesmo.
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Isabela comentou:
10/11/2013
Muito bom texto!! E faz pensar que escola é assim com todos, mesmo com os "brancos" nem tão brancos que esquecem seus costumes e modos de ser e se fazem como exercito de alienados. A escola é prisão e é passagem, fronteira, a escola é modelagem estereotipada e ao mesmo tempo criação, a escola é bem e mal. Precisamos reconhecer o mal a propria escola nos faz esquecer. abraço forte! Contato de Isabela
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Susana Grillo comentou:
10/11/2013
Prezado Bessa, uma alegria e sempre um alerta conhecer suas reflexões - fazem parte dos meus domingos... estive em reunião com os Mebengôkré do sul do Pará... hay mucho a hacer: apagar as matrizes coloniais do SUMMER,SPI/FUNAI com a concepção dos direitos humanos ... a atuação de muitas secretarias de educação ainda segue esses modelos/ideologias, mas os Mebengôkre não deixam barato, frequentam esses espaços, exigem se tornarem colaboradores/assessores, exigem respeito a sua lingua - estão amansando os gestores, em alguns municipios estão tendo sucesso. Melià tem razão - sempre - sem discutir o bilinguimo não avançamos. Os Mebengôkre estão concluindo o magisterio de nível médio e nunca tiveram um tratamento das questões linguisticas em sua formação. Estão exigindo linguistas que trabalhem nos cursos juntamente com os especialistas Mebengôkre no uso da sua língua materna. Pude visitar a aldeia Turedjam - aldeia nova, mais de 300 pessoas. As mulheres nos receberam com cantos, se recusam a falar o português e crianças pequenas também não falam. Com os professores Mebengokre poderão manter uma sempre precária predominância da língua materna. A UFPA está fazendo um projeto interessante por lá e estávamos tocando pra frente o Território Etnoeducacional Pykakwatynhre, procurando romper com essa escola alienígena e perversa. Um grande abraço
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Ana Silva comentou:
10/11/2013
Bravo! Excelente, Bessa. É isso mesmo. Infelizmente as escolas indígenas são devoradoras de memórias, saberes, identidades. Isso vem acontecendo em todo o Brasil e não é diferente com os Guarani aqui no Rio. O estado não garante a especificidade da escola indígena e enfia goela abaixo um modelo jurua de educação, vergonhosamente.
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Esther Arantes comentou:
10/11/2013
Me encontro sempre um tanto apreensiva com este contato entre brancos e povo indígenas, por um lado fundamental e por outro, sempre no fio da navalha, por conta do nossas experiências no passado e mesmo as recentes, tão autoritárias e desfavoráveis aos indígenas. É necessário ter muita competência e ser muito ético nestas aproximações. Suas crônicas, como sempre, são admiráveis e nos ajudam nesta reflexão. Obrigada, prezado Bessa. Grande abraço.
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Helena comentou:
10/11/2013
Bom dia Prof. Bessa! Amei sua reflexão e lembro-me bem do desenho do Vanderson, que é emblemático para esta escola que des-ensina, de-forma, des-trata, ... Penso que aos poucos os Guarani conseguem fazer a escola de seu modo próprio e se apropriar, tomar a "embaixada" e muito se deve às formações de professores e suas organizações internas. Obrigada pela menção em seu texto. Um grande abraço, Helena
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Eneida Simoes da Fonseca comentou:
09/11/2013
Vc me faz refletir ainda mais como não desensinar e não fazer desaprender nossos estudantes e nós mesmos. Parabéns! Grande abraço!
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Jose Varella (via FB) comentou:
09/11/2013
A senadora Kátia Abreu é uma aplicada seguidora do método do Marquês de Pombal, com o "Diretório dos Índios": aqui índio bom não era índio morto, como na pátria de Tio Sam, mas índio convertido em caboco.
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Nilda Alves comentou:
09/11/2013
Querido Bessa, Nietta fez sua dissertação comigo na UFF LINDA!!! Com cadernos de planejamento (caderno de campo, como ela chamava) de três diferentes professores índios (um deles eu conheci - ela o trouxe aqui em casa para me apresentar) E para mim a parte mais linda: nós - ela e eu - examinávamos os cadernos para ver por onde ir e, num momento, eu parei porque vi o nome de cada estudante indígena ao lado de algum conteúdo. Perguntei a Nietta o que era aquilo e ela me disse - "é a avaliação da turma; ele coloca na "prova" só aquilo que ele sabe que o estudante sabe; ninguém manda caçar, quem não sabe; ninguém manda pescar quem não sabe -acompanha para aprender mas não faz." Aquele momento foi de revelação para mim. E, hoje, no momento em que tantas provas são colocadas nas escolas - iguais para todos -, a cada turma que tenho eu conto essa história. Como sempre a crônica está linda! Abraço grande Nilda
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Odalice Priosti comentou:
09/11/2013
Sim , Bessa, concordo que a escola de "desensinar" grassa em nosso pais , que em outras epocas gerou a pedagogia freiriana da libertaçao e da afirmaçao... Infelizmente a escola que desensina reproduz tambem entre os " brancos " a pedagogia de fazer " objetos " e quase nunca sujeitos, senhores de si mesmos e do futuro. Nao se faz mais gente cidada, mas meros reprodutores do poder... Ainda assim, acredito que " antes TARDE ( Gabriel Tarde) do que nunca, as leis da imitaçao drar~~ao uma resposta , a longo prazo. Que nao seja tao longo assim e o tempo possa criar uma geraçao transformadora! Contato de Odalice Priosti
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Osmarina de Oliveira (via FB) comentou:
09/11/2013
Belo texto do Prof. José Bessa chamado Desaprendendo na Escola.
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rosa caloiero comentou:
09/11/2013
Prof Bessa ,excelente,terminamos o Programa Kuaa Mbo´e em 2010 ,e os problemas continuam os mesmos ,não aconteceram Grandes avanços .Mélia e os .Prof.Vanderson e Prof, Leonardo muito bem lembrados ,e o fechamento com o antropólogo Guga ,tornou a crõnica ímpar. saudações.
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