Fazei isto em memória de mim" (Lucas 22:19).
A nossa história começa em meados do séc. XIX, quando colonos alemães migraram para o interior do Rio Grande do Sul, onde criaram a “Colônia Feliz” no Morro das Batatas, por eles denominado Batatenberg. Deixaram herdeiros, entre eles Philomena e Augusto Schwade, que tiveram 13 filhos. Egydio, o nono, que completou 91 anos em 2026, dedicou a vida à defesa dos povos indígenas e, por isso, foi perseguido pela ditadura militar. Sua história é narrada em Da causa perdida aos indigenismo encarnado: a trajetória de Egydio Schwade nos anos de chumbo (1972-1980).
Este livro, que será lançado em julho, se originou na tese de doutorado do historiador Tiago Fonseca dos Santos defendida em 2024 na Universidade Federal do Amazonas. Ele definiu com rigor e precisão o corte cronológico. Só transbordou o limite temporal, quando foi necessário dar conta do impacto de eventos anteriores ou posteriores relevantes à contextualização histórica. Para isso, sua pesquisa incluiu vinte longas entrevistas com Egydio, que é um arquivo ambulante. A admiração do autor pelo biografado não interferiu no rigor e na qualidade do historiador, que manteve sempre um espírito crítico diante das fontes.
Essas fontes orais evocam a infância de Egydio em Arroio Feliz, hoje município de Feliz (RS). Ele recorda sua relação com mãe, pai, irmãos – uma delas Tarcísia se tornou freira e atuou em área indígena da Amazônia. Depois, narra sua chegada em 1º de janeiro de 1963 à Missão Anchieta (MIA), quando ainda estudante começou sua atuação missionária em um internato em Utiariti, no Mato Grosso, cinco anos antes de ser ordenado padre. Lá, “em um raio de 500 quilômetros só havia índios”.
A guinada de Utiariti
Foi aí que Egydio teve os primeiros contatos com os povos indígenas, por quem foi convertido. Ele conta, na entrevista a Tiago, que trabalhou durante três anos, em dois internatos, em uma missão tradicional, em Utiariti e Diamantino-MT: “Eu vi crianças chegarem com arco, flecha e penas; no dia seguinte, ajoelhados, de roupa, no banco da igreja, rezando. Quer dizer: um absurdo, não é? O internato era a primeira etapa para o índio abandonar a terra e esconder a sua identidade em Cuiabá ou desintegrar-se”.
Ele se convenceu, então, da necessidade de mudar de perspectiva, justamente nos anos de chumbo. Começou em abril de 1964, quando dois agentes de informação, mesmo naquela localidade afastada, vigiavam e controlavam o internato logo após o golpe militar. Relatou suas experiências no texto “O mestre em Utiariti” e também em uma carta, que não consta neste livro, mas merece ser aqui mencionada. Datada de 19 de dezembro de 2016, é dirigida a Gilmar Mendes, a quem conheceu ainda menino, quando morava a menos de 50 metros do Lar do Menor e estudava no Ginásio do município de Diamantino, criado com ajuda do missivista. Lá, Gilmar foi colega de sala do líder indígena Daniel Cabixi e lá Egydio foi professor. Décadas depois, o ministro do STF invocou essa convivência para votar em processo prejudiciais aos povos indígenas. Egydio deu o troco:
- “Sinceramente, Gilmar, não sei o que ocorreu com você. O menino alegre de Diamantino cheio de belos ideais, se transformou em uma personalidade ranzinza, triste, parcial, infeliz. Infeliz por dentro, preocupado em satisfazer agro negociantes, proteger gente fora da lei e violadores da justiça. Você tenta, parece, suprir esta infelicidade interior, com o dinheiro.
Segundo Tiago, Egydio percebeu o impacto da sociedade envolvente e a perspectiva de desaparecimento de muitos povos. Reagiu à evangelização e ao assimilacionismo. Buscou mobilizar pessoas e instituições para enfrentar a política indigenista oficial, que defendia a integração e desenhava um futuro incerto para os povos milenares. Como reação a isso, o novo diretor Educacional de Utiariti, Thomaz Aquino Lisboa, fechou o internato em 1969 e recomendou que missionários, padres e freiras fossem para as aldeia. Esse foi um “sintoma das mudanças no indigenismo dos missionários católicos progressistas”, que se deu paulatinamente com a criação da Operação Anchieta, sigla que depois passou a designar a Operação Amazônia Nativa, como reflexo dessas mudanças.
As fontes orais são cruzadas por Tiago com os registros escritos e iconográficos do acervo particular da Casa da Cultura do Urubuí (CACUÍ) criada por Egydio e Doroti em 1992 no município de Presidente Figueiredo-AM. São cadernetas, relatórios, diários, fichas, artigos, textos acadêmicos, jornais, postais, fotografias, correspondência epistolar e até cartas de crianças de etnias diversas, ex-alunos de Egydio. Contém mais de 5 mil páginas organizadas por ano de 1959 a 1980 com dados sobre sua trajetória pessoal e sua vida pública, abordando o movimento indígena e suas lutas, o indigenismo, a relação Igreja - Estado durante a ditadura, as tensões e conflitos internos da pastoral indigenista.
O sabor do arquivo
A análise desse material foi realizada por Tiago com ferramentas conceituais de teóricos que trabalham com a memória, entre eles, o historiador francês Philippe Artières, membro da Association pour l´autobiographie, que cunhou as expressões “arquivos menores” e “arquivo de si mesmo” para designar relatos autobiográficos. O que Tiago escreve aqui é um convite ao leitor para sentir “O sabor do arquivo” - título do livro da pesquisadora Arlette Farge, que inaugurou esse gênero histórico na França.
O “arquivo de si mesmo” de Egydio foi enriquecido com a documentação de “arquivo outros”, que permitiu relacionar a memória pessoal com as memórias institucionais. Num trabalho cuidadoso de historiador, Tiago vasculhou acervos de diversas entidades: Arquivo Nacional, Museu Nacional dos Povos Indígenas (Funai), arquivos do CIMI, do Instituto Socioambiental, da Plataforma Brasil Nunca Mais, do Projeto Memórias Reveladas e da Biblioteca Pública do Amazonas.
O novo doutor cruzou essas fontes escritas com as orais para verificar se elas se aproximavam ou se distanciavam das narrativas de Egydio, que foi padre celibatário durante 12 anos; posteriormente, casou-se com a indigenista Doroti Alice Muller com quem teve 5 filhos, mas continuou padre, fazendo tudo como antes, excetuando as questões sacramentais, do que foi impedido pelas estruturas eclesiásticas.
Já no crepúsculo da ditadura, a família Schwade foi residir em Itacoatiara e, depois, em Presidente Figueiredo (AM). Lá, criaram o Movimento de Apoio à Resistência Waimiri-Atroari (Marewa) e na alfabetização dos Kiña como se autodenominam. Residindo com seus filhos na aldeia Yawará, Egydio e Doroti alfabetizaram crianças e adultos indígenas na língua Kiña com o método Paulo Freire, como recomenda a sociolinguística etnográfica e o planejamento linguístico racional, embora tenha sido também uma espécie de ajuste de contas pessoal.
Isso porque o drama indígena vivido indiretamente por Egydio em sua infância fez com que sentisse o peso do etnocentrismo. É que sua primeira língua, a alemã, usada na comunicação do ambiente familiar e do entorno, estava proibida de ser empregada em espaço público, o que era tipificado como um crime no Brasil durante a II Guerra Mundial. Ele só aprendeu a língua portuguesa na escola, onde foi vítima de intolerância e discriminação, semelhante ao sofrimento dos indígenas recém-chegados das aldeias para iniciar o processo de escolarização no Internato de Utiariti ou no Lar do Menor em Diamantino. Agora, além de valorizar a língua Kiña, o casal ensinou os Waimiri a ler, num processo que iniciava com narração oral das histórias na língua materna, continuava com as figuras desenhadas no papel e a leitura das imagens até chegar à escrita alfabética.
Os primeiros textos escritos pelos recém-alfabetizados, ilustrados por desenhos, revelaram "o método e as armas usadas para dizimá-los: aviões, helicópteros, bombas, metralhadoras, fios elétricos e estranhas doenças. Comunidades inteiras desapareceram depois que helicópteros com soldados sobrevoaram ou pousaram em suas aldeias".
O casal Schwade denunciou naquele momento cerca de duas mil mortes no genocídio perpetrado por militares brasileiros tanto na construção da rodovia BR-174 como na instalação da mineração em território Waimiri. Em represália, o então presidente da FUNAI Romero Jucá, que depois se tornou réu por crimes de corrupção, expulsou a família Schwade da área indígena. Só em 2014 essas denúncias tiveram maior visibilidade com a edição do livro A Ditadura Militar e o Genocídio do povo Waimiri-Atroari elaborado pelo Comitê Estadual de Direito à Verdade, à Memória e à Justiça do Amazonas, coordenado por Egydio com a participação dos seus cinco filhos: Marcos Ajuri, Mayá Regina, Maurício Adu, Tiago Maiká e Luiz Augusto.
O poder do arquivo
Acervos de outras instituições públicas são consultados por Tiago, especialmente os do Arquivo Nacional, para onde foram transferidos os documentos do Conselho de Segurança Nacional (CSN), do Serviço Nacional de Informações (SNI) custodiado pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) e da Comissão Geral de Investigações (CGI). Lá estão também documentos das Assessorias de Segurança e Informação (AESI) instaladas em diferentes órgãos públicos: Funai, Ministérios do Interior, da Justiça, das Relações Exteriores e até em Universidades. Houve luta e mobilização para que esses arquivos confidenciais não fossem destruídos. Muitos deles são hoje acessíveis.
Sabíamos que missionários, indigenistas e líderes indígenas eram vigiados de perto por informantes dos órgãos de repressão pagos pelo contribuinte para realizarem esse trabalho sujo e ilegal, que contrariava até mesmo a legislação autoritária vigente. Mas uma coisa é “saber genericamente”, outra é ter a comprovação detalhada que Tiago registra em sua tese, com documentos reveladores do modus operandi do sistema de informações da ditadura para reprimir os movimentos indígena e indigenista.
Tiago aproveitou as brechas dos arquivos, cujo acervo é o resultado de uma seleção feita por setores da classe dominante avaliadora daquilo que é apropriado lembrar ou esquecer, das vozes que devem ser preservadas ou silenciadas, como observa Achille Mbembe em O Poder do Arquivos e seus limites. O filósofo camaronês, que criou a noção de “necropoder”, aponta a relação entre o arquivo e a morte e identifica-o como um local de poder e de violência. Portanto, examinar a documentação é se interessar pelo que a vida deixou para trás, recompor os destroços que sobraram.
As fontes inéditas são complementadas por Tiago com uma bibliografia consistente sobre a repressão nos anos de chumbo. Ele dialoga com autores de livros, artigos e teses sobre o tema como Os índios e a caserna de Egon Heck; Os fuzis e as flechas de Rubens Valente; Como eles agiam. Os subterrâneos da ditadura militar: espionagem e polícia política de Carlos Fico e Como uma revoada de pássaros: uma história do movimento indígena na ditadura militar brasileira de João Gabriel Ascenso. Mergulha ainda nos textos de Paulo Suess, Alzira Abreu, Clóvis Brighenti, Carlos Benitez, Eduardo Gomes, Paulo César Gomes, Marlene Moura, César Queirós, Jaci Vieira, Wilmar D’Angelis e Juracilda Veiga e muitos outros.
Os militares consideravam subversivas as atividades dos religiosos – escreve Tiago, citando Carlos Fico. Por isso, especialmente em certas questões socialmente explosivas, como a fundiária, e de grande repercussão internacional como a indígena, os informantes e dedos-duros, que vigiavam de perto a atuação da Igreja católica, produziram registros que comprovam a utilização das instituições do Estado para o exercício do arbítrio.
O livro recupera no capítulo IV inúmeros registros de policiais infiltrados nas assembleias dos povos originários, nas reuniões do CIMI, nos encontros da Pastoral Indígena e da CNBB, nos cursos de indigenismo e em outros eventos. A repressão realizou escutas telefônicas, microfilmagens, gravações clandestinas interceptação de correspondências, produção de informes falsos, apreensão de documentos em “operações de rotina” incluindo a detenção de líderes indígenas para obtenção de informações. Tudo registrado nos relatórios, dossiês e ofícios confidenciais.
Com uma visão anticomunista primária e simplória, o sistema autoritário qualificava o setor da Igreja que lutava pelos direitos humanos como “clero esquerdista” e “esquerda clerical”. A espionagem era generalizada como na Operação Pinguim realizada por ocasião do Encontro sobre o Problema da Terra na Amazônia Legal, em Goiânia, em junho de 1975 e a Operação Venha a nós o Vosso Reino realizada no IV Curso de Indigenismo no bairro do Aleixo, em Manaus, em janeiro de 1978, evento que tive a oportunidade de acompanhar presencialmente. Essas informações permitem a Tiago reconstituir a extensa rede de vigilância e controle à qual a sociedade estava submetida naquele contexto.
Os missionários católicos e os líderes indígenas eram seguidos pelos órgãos de segurança, como comprova a vasta documentação produzida pelo SNI, Polícia Federal, Centros de Informações das Forças Armadas: Exército (CIE), Marinha (CENIMAR) e Aeronáutica (CISA), Assessorias de Segurança e Informação das Delegacias Regionais da FUNAI e de outras instituições. Os exemplos abundam, cabendo destacar aqui dois deles.
Aquele que deve morrer
Relatório confidencial do Centro de Informações do Exército de 1974, consultado por Tiago na Pasta do Arquivo Cronológico de Entrada (ACE), enquadra como “Propaganda Subversiva” o documento do CIMI elaborado e distribuído em sigilo: Y-Juca Pirama – O Índio: aquele que deve morrer. Os nomes dos missionários envolvidos em sua redação, o local de nascimento e a atuação missionária de cada um, seus antecedentes e as atividades por eles desenvolvidas estão em outra pasta do SNI. Constam os nomes de bispos como Pedro Casaldáliga e Thomaz Balduíno e outros “subversivos turbulentos e astuciosos” como o padre Antônio Iasi e o próprio Egydio.
Esse manifesto, que denunciava a ação genocida do Estado brasileiro, foi traduzido em várias línguas e teve repercussão internacional. Focava sobre os direitos humanos, a autodeterminação dos povos indígenas, a revisão crítica do papel missionário da Igreja, a defesa da terra e da cultura dos povos ameríndios. O SNI exigiu a interrupção da sua impressão e da sua divulgação, assim como a censura à imprensa. A prisão era o destino de quem não obedecesse. Quando levava cópias para entregá-las a comunidades eclesiais de base, o jornalista e indigenista Antônio Carlos Moura, vinculado ao CIMI, foi preso na rodoviária de Goiânia.
Os agentes delatores naqueles anos de chumbo deixaram suas digitais nos relatórios, constando em alguns os prenomes daqueles que atuaram em eventos de espionagem, como no caso do mapeamento das instalações do Centro de Treinamento de Líderes da Arquidiocese de Goiânia (GO), quando foi feito uma espécie de croqui do prédio, localizando as instalações e as áreas de segurança. O arcebispo de Goiânia, Dom Fernando, denunciou que, apesar de todas as medidas adotadas pelos religiosos, os agentes de segurança conseguiram se infiltrar e coletar informações.
Egydio Schwade e Doroti continuavam na mira dos órgãos de segurança, quando eu os conheci em janeiro de 1978, no II Curso de Indigenismo Missionário promovido pelo CIMI Norte I em Manaus, na Casa Jordão dos Salesianos. Ambos eram militantes das causas impossíveis e das sonhadas utopias e assinaram um pacto de sangue com os povos originários, a quem doaram suas energias, inteligências e uma vontade danada de viver e de lutar.
Naquela longa e tenebrosa noite, de censura e repressão, de medo e silêncio, eram poucas as vozes que se levantavam em defesa dos indígenas, das terras invadidas, das culturas sufocadas, das línguas proibidas e dos etnosaberes discriminados. O casal entrou de cabeça na luta, com aquela radicalidade e aquela fé inabalável que só os profetas costumam ter, na melhor tradição que vem de Bartolomeu de Las Casas. Dois entusiasmos altamente explosivos e contagiantes, que incendiavam a todos nós que deles nos aproximávamos: Doroti e Egydio. Egydio e Doroti. Ficaram tão entrelaçados no compromisso inabalável de luta e de entrega total, que ninguém sabia mais onde é que um começava e onde o outro terminava.
Missas vigiadas
Peço licença para concluir essa apresentação com um depoimento muito pessoal relacionado ao tema, que me traz para dentro do texto e reforça aquilo que consta no livro que você vai ler. Pude acompanhar de perto o casal Schwade, quando me incorporei ao CIMI em plena ditadura, após retornar do exílio e permanecer preso três semanas pela Polícia Federal em Manaus. No final do Curso de Indigenismo Missionário propus a criação do jornal mensal Porantim – Em defesa da Causa indígena, do qual fui o redator-chefe, compartilhando com o secretário regional do CIMI, Paulo Suess. Os oito primeiros números foram rodados no mimeógrafo em plena ditadura militar e depois passou a ser impresso até os dias de hoje.
A partir de então, acompanhei o casal às vezes de perto, presencialmente, ao se cruzarem os nossos caminhos, às vezes de longe, virtualmente, até que no final de 2010 Doroti foi levada por um AVC traiçoeiro. De qualquer forma, nós permanecemos juntos, pelo menos nos arquivos da polícia. A Casa Militar da Presidência da República respondeu em 27 de agosto de 1998 um requerimento sobre os dados relativos à minha pessoa constantes nos órgãos de segurança e informação no período de vinte anos, de 1966 a 1986, num total de 225 registros, envolvendo participação no sindicato dos professores, no trabalho docente na Universidade Federal do Amazonas, em partidos políticos e em cursos ministrados.
No que diz respeito à luta indígena, os relatórios do SNI registram eventos em Manaus, nos quais assinalam minha presença, sem reproduzir nos resumos o conteúdo das falas ali proferidas. Assim, alguns delatores bisbilhotaram o I Congresso de Leigos da Amazonia, promovido pela CNBB Norte I (01/1980); gravaram discursos na concentração na Praça da Matriz em defesa da Amazônia Indígena (03/1980); abelhudaram evento do CIMI no auditório do SESI em 15 de abril mencionando fala sobre a Autodeterminação dos Povos Indígenas (04/1980); se infiltraram na 10ª Assembleia do CIMI Norte I (01/1986) e em dois cursos de Etnohistória da Amazônia em Cuiabá para os estagiários da OPAN (1986 e 1987).
Os agentes infiltrados não pouparam nem a assistência a duas missas, conforme resumos da Casa Militar em resposta a meu requerimento:
1.“No decorrer de uma missa celebrada em 04 Abr 80, na Igreja de São Francisco, em Manaus/AM, em memória do cacique Ângelo Kretã, o requerente, representando os docentes da UA, fez uso da palavra”.
2.“Em 25 Jul 80, foi um dos presentes a uma missa campal em comemoração ao Dia do Trabalhador Rural, realizada no pátio do estacionamento do Estádio Vivaldo Lima, em Manas (AM), ocasião em que fez uso da palavra”.
Nas duas missas, como acontece sempre, após a consagração do vinho, o padre repetiu as palavras de alguém que foi crucificado há mais de 2 mil anos: “Fazei isso em memória de mim”. Não se trata apenas de “lembrar o passado”, mas de torná-lo presente, de atualizá-lo, de estabelecer uma nova aliança, como o CIMI fez engajando-se na luta dos povos indígenas crucificados ainda nos dias de hoje. É essa “memória de mim”, de ti, de nós, que Tiago recupera em seu livro através do filósofo, teólogo, professor, missionário, padre jesuíta, esposo amoroso, pai de família, indigenista, apicultor, fiel e apaixonado aliado dos povos indígenas: Egydio Schwade.