Enquanto algumas pesquisas discutem a imagem do índio construída pela escola, este artigo, invertendo os termos da questão, preocupa-se com a imagem da escola construída pelos índios. O discurso indígena está informado, de um lado pela experiência direta com a sala de aula, dentro das aldeias, e de outro pelo que acontece lá fora, nas escolas das principais cidades do país. Nesse sentido, os índios avaliam a escola nacional, observando o indivíduo que ela forma, através do seu relacionamento com a alteridade e a diferença. O exemplo mais acabado deste tipo de discurso é um mito andino, que elabora explicações sobre a origem da escola, o medo que ela provoca nas crianças e os altos índices de evasão.
O artigo transcreve uma das versões do mito, que representa a escola como devoradora de identidades, numa perspectiva que talvez possa contribuir para repensar algumas práticas ainda hoje difundidas nas nossas salas de aula.