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Manaus, Quarta-feira, 08 de setembro de 2010
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FAZEI ISSO EM MEMÓRIA DELAS
José Ribamar Bessa Freire
28/03/2010 - Diário do Amazonas

 

São mulheres de diferentes cidades do Brasil. Algumas amamentavam. Outras, grávidas, pariram na prisão ou, com a violência sofrida, abortaram. Não mereciam o inferno pelo qual passaram, ainda que fossem bandidas e pistoleiras. Não eram. Eram estudantes, professoras, jornalistas, médicas, assistentes sociais, bancárias, donas de casa. Quase todas militantes, inconformadas com a ditadura militar que em 1964 derrubou o presidente eleito. Foram presas, torturadas, violentadas. Muitas morreram ou desapareceram lutando para que hoje nós vivêssemos numa democracia.

As histórias de 45 dessas mulheres mortas ou desaparecidas estão contadas no livro “Luta, Substantivo Feminino”, lançado quinta-feira passada na PUC de São Paulo, na presença de mais de 500 pessoas. O livro contém ainda o testemunho de 27 sobreviventes e muitas fotos. Se um poste ouvir os depoimentos dilacerantes delas, o poste vai chorar diante da covardia dos seus algozes. Dá vergonha viver num mundo que não foi capaz de impedir crimes hediondos contra mulheres indefesas, cometidos por agentes do Estado pagos com o dinheiro do contribuinte.

Rose Nogueira - jornalista, presa em 1969, em São Paulo, onde vive hoje. “Sobe depressa, Miss Brasil’, dizia o torturador enquanto me empurrava e beliscava minhas nádegas escada acima no Dops. Eu sangrava e não tinha absorvente. Eram os ‘40 dias’ do parto. Riram mais ainda quando ele veio para cima de mim e abriu meu vestido. Segurei os seios, o leite escorreu. Eu sabia que estava com um cheiro de suor, de sangue, de leite azedo. Ele (delegado Fleury) ria, zombava do cheiro horrível e mexia em seu sexo por cima da calça com um olhar de louco. O torturador zombava: ‘Esse leitinho o nenê não vai ter mais’”.

Izabel Fávero – professora, presa em 1970, em Nova Aurora (PR). Hoje, vive no Recife, onde é docente universitária: “Eu, meu companheiro e os pais dele fomos torturados a noite toda ali, um na frente do outro. Era muito choque elétrico. Fomos literalmente saqueados. Levaram tudo o que tínhamos: as economias do meu sogro, a roupa de cama e até o meu enxoval. No dia seguinte, eu e meu companheiro fomos torturados pelo capitão Júlio Cerdá Mendes e pelo tenente Mário Expedito Ostrovski. Foi pau de arara, choques elétricos, jogo de empurrar e ameaças de estupro. Eu estava grávida de dois meses, e eles estavam sabendo. No quinto dia, depois de muito choque, pau de arara, ameaça de estupro e insultos, eu abortei. Quando melhorei, voltaram a me torturar”.

Hecilda Fontelles Veiga - estudante de Ciências Sociais, presa em 1971, em Brasília. Hoje, vive em Belém, onde é professora da Universidade Federal do Pará.  “Quando fui presa, minha barriga de cinco meses de gravidez já estava bem visível. Fui levada à delegacia da Polícia Federal, onde, diante da minha recusa em dar informações a respeito de meu marido, Paulo Fontelles, comecei a ouvir, sob socos e pontapés: ‘Filho dessa raça não deve nascer’. (...) me colocaram na cadeira do dragão, bateram em meu rosto, pescoço, pernas, e fui submetida à ‘tortura cientifica’. Da cadeira em que sentávamos saíam uns fios, que subiam pelas pernas e eram amarrados nos seios. As sensações que aquilo provocava eram indescritíveis: calor, frio, asfixia. Aí, levaram-me ao hospital da Guarnição de Brasília, onde fiquei até o nascimento do Paulo. Nesse dia, para apressar as coisas, o médico, irritadíssimo, induziu o parto e fez o corte sem anestesia”.

Yara Spadini - assistente social presa em 1971, em São Paulo. Hoje, vive na mesma cidade, onde é professora aposentada da PUC. “Era muita gente em volta de mim. Um deles me deu pontapés e disse: ‘Você, com essa cara de filha de Maria, é uma filha da puta’. E me dava chutes. Depois, me levaram para a sala de tortura. Aí, começaram a me dar choques direto da tomada no tornozelo. Eram choques seguidos no mesmo lugar”.

Inês Etienne Romeu – bancária, presa em São Paulo, em 1971. Hoje, vive em Belo Horizonte.  “Fui conduzida para uma casa em Petrópolis. O dr. Roberto, um dos mais brutais torturadores, arrastou-me pelo chão, segurando-me pelos cabelos. Depois, tentou me estrangular e só me largou quando perdi os sentidos. Esbofetearam-me e deram-me pancadas na cabeça. Fui espancada várias vezes e levava choques elétricos na cabeça, nos pés, nas mãos e nos seios. O ‘Márcio’ invadia minha cela para ‘examinar’ meu ânus e verificar se o ‘Camarão’ havia praticado sodomia comigo. Esse mesmo ‘Márcio’ obrigou-me a segurar seu pênis, enquanto se contorcia obscenamente. Durante esse período fui estuprada duas vezes pelo‘Camarão’ e era obrigada a limpar a cozinha completamente nua, ouvindo gracejos e obscenidades, os mais grosseiros”.

Ignez Maria Raminger - estudante de Medicina Veterinária presa em 1970, em Porto Alegre, onde trabalha atualmente como técnica da Secretaria de Saúde. “Fui levada para o Dops, onde me submeteram a torturas como cadeira do dragão e pau de arara. Davam choques em várias partes do corpo, inclusive nos genitais. De violência sexual, só não houve cópula, mas metiam os dedos na minha vagina, enfiavam cassetete no ânus. Isso, além das obscenidades que falavam. Havia muita humilhação. E eu fui muito torturada, juntamente com o Gustavo [Buarque Schiller], porque descobriram que era meu companheiro”.

Dilea Frate - estudante de Jornalismo presa em 1975, em São Paulo. Hoje, vive no Rio de Janeiro, onde é jornalista e escritora. “Dois homens entraram em casa e me sequestraram, juntamente com meu marido, o jornalista Paulo Markun. No DOI-Codi de São Paulo, levei choques nas mãos, nos pés e nas orelhas, alguns tapas e socos. Num determinado momento, eles extrapolaram e, rindo, puseram fogo nos meus cabelos, que passavam da cintura”.

Cecília Coimbra - estudante de Psicologia presa em 1970, no Rio. Hoje, presidente do Grupo Tortura Nunca Mais e professora de Psicologia da Universidade Federal Fluminense: “Os guardas que me levavam, frequentemente encapuzada, percebiam minha fragilidade e constantemente praticavam vários abusos sexuais contra mim. Os choques elétricos no meu corpo nu e molhado eram cada vez mais intensos. Me senti desintegrar: a bexiga e os esfíncteres sem nenhum controle. ‘Isso não pode estar acontecendo: é um pesadelo... Eu não estou aqui...’, pensei. Vi meus três irmãos no DOI-Codi/RJ. Sem nenhuma militância política, foram sequestrados em suas casas, presos e torturados”.

Maria Amélia de Almeida Teles - professora de educação artística presa em 1972, em São Paulo. Hoje é diretora da União de Mulheres de São Paulo. “Fomos levados diretamente para a Oban. Eu vi que quem comandava a operação do alto da escada era o coronel Ustra. Subi dois degraus e disse: ‘Isso que vocês estão fazendo é um absurdo’. Ele disse: ‘Foda-se, sua terrorista’, e bateu no meu rosto. Eu rolei no pátio. Aí, fui agarrada e arrastada para dentro. Me amarraram na cadeira do dragão, nua, e me deram choque no ânus, na vagina, no umbigo, no seio, na boca, no ouvido. Fiquei nessa cadeira, nua, e os caras se esfregavam em mim, se masturbavam em cima de mim. Mas com certeza a pior tortura foi ver meus filhos entrando na sala quando eu estava na cadeira do dragão. Eu estava nua, toda urinada por conta dos choques”.

São muitos os depoimentos, que nos deixam envergonhados, indignados, estarrecidos, duvidando da natureza humana, especialmente porque sabemos que não foi uma aberração, um desvio de conduta de alguns indivíduos criminosos, mas uma política de Estado, que estimulou a tortura, a ponto de garantir a não punição a seus autores, com a concordância e a conivência de muita gente boa “em nome da conciliação nacional”.  

No lançamento do livro na PUC, a enfermeira Áurea Moretti, torturada em 1969, pediu a palavra para dizer que a anistia foi inócua, porque ela cumpriu pena de mais de quatro anos de cadeia, mas seus torturadores nem sequer foram processados pelos crimes que cometeram: “Uma vez eu vi um deles na rua, estava de óculos escuros e olhava o mundo por cima. Eu estava com minha filha e tremi”. 

Os fantasmas que ainda assombram nossa história recente precisam ser exorcizados, como uma garantia de que nunca mais possam ser ressuscitados – escreve a ministra Nilcea Freire, ex-reitora da UERJ, na apresentação do livro, que para ela significa o “reconhecimento do papel feminino fundamental nas lutas de resistência à ditadura”.

Este é o terceiro livro da série ‘Direito à Memória e à Verdade’, editado pela Secretaria de Direitos Humanos (SEDH) em parceria com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. O primeiro tratou de 40 afrodescendentes que morreram na luta contra o regime militar. O segundo contou a “História dos meninos e meninas marcados pela ditadura”. Eles podem ser baixados no site da SEDH. 

O golpe militar de 1964 que envelhece, mas não morre, completa 46 anos nos próximos dias. Essa é uma ocasião oportuna para lançar o livro em todas as capitais brasileiras. No Amazonas, as duas reitoras – Marilene Correa da UEA e Márcia Perales da UFAM - podiam muito bem organizar o evento em Manaus e convidar a sua colega Nilcea Freire para abri-lo. Afinal, preservar a memória é um dos deveres da universidade. As novas gerações precisam saber o que aconteceu. 

A lembrança de crimes tão monstruosos contra a maternidade, contra a mulher, contra a dignidade feminina, contra a vida, é dolorosa também para quem escreve e para quem lê. É como o sacrifício da missa para quem nele crê. A gente tem de lembrar diariamente para não ser condenado a repeti-lo: fazei isso em memória delas.

 


43 Comentário(s)

 

l claudio
16:25 em 29/07/2010
isso é o brasil que nao virmos nem sentirmos isso é o brasil firme e livre de terremoto vulcão e maremot , esse é o brasil brasileiro , onde eu e vc vive , esse é o brasil que sangrou muitos que apenas so queriam o brasil dos brasileiros.

 

Margot Mello
20:31 em 19/07/2010
A dor a fome .O medo o vazio. A alma a carne. O inferno o escuro. A agressão a corvardia. O choque o abandono. A impunidade a memória .No escuro, oh patria amada, teus filhos não terão uma memória clara. Em poesia o que sinto. Parabéns pela crônica

 

Kelly (1) Blog do Sarafa
16:23 em 16/07/2010
Sou filha adotiva, com registro “oficial” de nascimento no 15/01/1971, em Curitiba/PR, Hospital Cajuru. Minha família sonega informações sobre minha origem biológica até os dias de hoje. De acordo com informações que colhi ao longo dos anos, existe a possibilidade de eu ser filha de alguma presa / desaparecida política da década de 70. Por registros do hospital, pode ser que minha data correta de nascimento tenha sido 13/01/1971, sendo que minha mãe biológica teria fugido no dia seguinte.

 

Kelly (2) – Blog do Sarafa
16:19 em 16/07/2010
O nome da minha mãe biológica que consta lá é “Haroti Modesto” provavelmente um nome falso, codinome ou nome inventado pelo próprio hospital para constar no registro, pois não existe qualquer registro em bancos de dados que acessei até hoje, da existência desta pessoa. Se alguém que tenha conhecimento sobre as mulheres que foram presas nessa época (1970 até janeiro 1971) e que estavam grávidas, gostaria de receber informações para continuar minha busca.

 

Ana Lucia Motta (2)
14:14 em 17/04/2010
A candidata a presidente do Brasil, Dilma Rousseff (uma das vítimas da Ditadura), afirma categoricament que estes tempos de exceção no Brasil devem ser encarados como tempos para não se guardar mágoa. O que mais me intriga é ver tantos que sofreram na carne e na história os tempos da ditadura, hoje estarem usufruindo benesses justamente em função do que sofreram no passado –como muitos políticos– ao invés de lutarem em prol de que essa história do Brasil de fato NUNCA MAIS OCORRA, conforme fora

 

Ana Lucia Motta
01:37 em 17/04/2010
Lendo esta crônica, e tamém os comentários, penso no seguinte: vejo o seu embate em prol de resgatar a memória da repressão dos anos de chumbo, para que vivamos uma aurora de verdade e de justiça. Louvores a isso. Mas, sendo franca, com preocupação vejo um confronto entre um intectualismo utópico, bem sonhador, versus um pragmatismo político por parte de gente que sofrera , inclusive, na carne a opressão que tanto insistes em pôr a nu, mas que, hoje, na política, especialmente, em posse do poder

 

Estanislau Robalo
19:11 em 16/04/2010
Queira saber como conseguir o livro: luta, substantivo feminino, pois já tentei de todas as formas para adquirir, mas não consegui e, como tenho muitos livros sobre o período da ditadura militar, gostaria de conseguir esse para minha biblioteca. Robalo

 

Silvana Lúcia Rodrigues
22:50 em 14/04/2010
Gostaria de saber onde posso encontrar o livro Luta Substantivo Feminino para utilizá-lo em minha tese de doutorado sobre pena de morte. Desde já agradeço a sua ajuda.

 

neiva
11:20 em 12/04/2010
ainda ben que existen pessoas que nao nos deixam esquecer destas atrocidades gostaria muiiito de compra o livro luta substantivo feminino como faço sou do rio grande do sul

 

Frank CTB/AM
12:14 em 09/04/2010
Belissima crônica de Ribamar Bessa sobre as violências sofridas pelas mulheres no regime militar. Vale a pena.Frank - CTB-Am (Central de Trabalhadores e Trabalhadores do Brasil/AM)

 

André Ricardo Costa
22:35 em 06/04/2010
É curioso também que poucos invocam a memória dos torturados pela ditadura de Getúlio Vargas...

 

André Ricardo Costa
22:34 em 06/04/2010
Ribamar, Dessa vez não tive estômago suficiente para ler detalhes de torturas. Mas se vc critica a Lei de Anistia vc deveria também invocar a memória dos que foram roubados, assaltados,sequestrados e assassinatos pelos que,com armas,se opuseram à ditadura. Se é pra prender o torturador dessa senhora, prenda também a senhora Dilma Roussef , por ter ROUBADO o "cofre do adhemar" Ou melhor: Que se prenda todos os integrantes do "Tribunal Revolucionário" da Vanguarda Popular Revolucionária, qu

 

Erika
00:03 em 04/04/2010
Que HORRORRRRRRRRRRRRRRR! Nunca foram punidos esses trogrodlitas? E as vítimas receberam algum tipo de indenização para - quem sabe - "amenizar" o sofrimentos e as injustiças? .NÃO QUE QUALQUER IMPORTÂNCIA MONETÁRIA VAI MUDAR ALGUMA COISA...TERRÍVEL E DEPRIMENTE DEMAIS.

 

Maira Foucher
13:01 em 02/04/2010
Acabei de ler...e uahhhh...nao sabia se eu ia conseguir ler até o final...mas consegui...horrivel...En fait je ne sais pas trop quoi en dire, c'est tellement incompréhensible que ces individus vivent si impunément aujourd'hui!

 

Marilza de Melo Foucher
12:54 em 02/04/2010
Meu mano companheiro, Luta, substantivo feminino é um belo resgate historico para nao esquecer o papel que tiveram as mulheres brasileiras na conquista da democracia. Alguns nao querem reconhecer, mas nós temos o direito à memoria e à verdade. Parabens por essa belissima crônica que me fez chorar de emoçao e revolta. Junto-me ao teu apelo à reitora Marilene Correia que esteve conosco nessa luta. Que ela lance o livro e faça um grande evento. Temos dever de passar para a nova geraçao o que repre

 

Javier
12:03 em 02/04/2010
Oi Bessa, Pensar que isso aconteçeu há tão pouco tempo e parece que foi há muitos seculos. Obrigado por nos fazer lembrar. Abs Javier

 

Lúcia Ferreira
12:02 em 02/04/2010
Caro Bessa, Li a sua resenha. Obrigada por nos fazer lembrar. Gostaria de dizer que vc tb está presente no 2o módulo do curso da linha Memória e Linguagem este semestre - Língua, Identidade e Memória - com o texto Nheengatu: a outra língua brasileira.Grande abraço,Lucia

 

Jô Gondar
12:02 em 02/04/2010
Beijos, Bessa. Você sempre atento, sempre na luta.Jô

 

Rosa (blog Assaz Atroz)
12:02 em 02/04/2010
Estou viciada em ASSAZ ATROZ e adorando o vício. Hoje em dose tripla.. uau! O José Ribamar me devolveu a memória do que jamais deve ser esquecido.A Dilea Frate eu conversei tem uns cinco anos. Mas por onde andava minha cabeça? Vou comprar o livro.O seu conto sensacional e Urda é sempre uma aula.

 

Leila Beatriz Ribeiro
12:01 em 02/04/2010
Bessa: Muito bom não deixar a gente esquecer

 

Leonard Costa (1)
12:01 em 02/04/2010
Já escrevi sobre esse assunto! Nasci em 1979 e não vivi essa época. Tenho ódio visceral de qq violência sobretudo da tortura. Estou fazendo doutorado, trabalho com a construção dos sentidos nas charges jornalísticas (seguindo bakhtin),mas espero depois do doutorado ter chance de realizar projeto sobre memória aqui no amazonas. Muitos estados já fizeram esse dever de casa...no caso de São Paulo,

 

Leonard Costa (2)
12:00 em 02/04/2010
O GTNM fez o que muita gente nunca teve coragem: o nome dos torturadores e dos médicos que ajudavam torturadores. Pq isso não se faz no Amazonas? Já está na hora, você não acha? Te dou parabéns por não deixar esse assunto morrer, por ajudar a memória de um tempo \'interditado\' do nosso discurso. E que os torturadores sejam punidos, senão penalmente pelo menos com a memória de quem apanhou e não esquece.

 

Evelyn Orrico
12:00 em 02/04/2010
Querido Bessa O seu talento e sensibilidade conseguem fazer um belo texto sobre algo tão terrível; uma história que não pode ser esquecida.

 

Paulol Suniga
11:59 em 02/04/2010
Carissímas heroinas,Segue o apoio solidário as vossas lutas, as medidas contra seus algozes foram de fato inócuas..Mas o vosso legado será para sempre lembrado e celebrado.A democracia sensibilizada agradece. Aos sanguinários (Rei”ch”naldo Azevedo e Diogo Mainard) bebam desse sangue ele tem gosto de democracia

 

Marisa Pulga (blog Amazonia)
11:59 em 02/04/2010
Gostaria de adquirir um exemplar do livro “LUTA, SUBSTANTIVO FEMININO”. Peço gentileza de me informar como proceder. Agradecida. Marisa

 

Adriana (blog da Amazonia)
11:58 em 02/04/2010
Isso é uma vergonha, li e me emocionei muito mais que pais é este deveriam ter matado a todos esses canalhas tanto os superiores quanto os que obedeceiam. E ai não eram condenados pois tinha de obedecer ordens faca me o favor.eram piores que bichos esses canalhas que o capeta cuide deles e pode ter certeza que vai cuidar

 

Eulelis de Oliveira
11:58 em 02/04/2010
Materia super interessante e necessária. Parabéns e obrigado.Esta é a realidade que o povo brasileiro precisa conhecer da nossa história. Tudo isso aconteceu ontem.

 

Alceu
11:57 em 02/04/2010
O pior é que existe quem defenda a volta dessas atrocidades. no Brasil o que é imoral sempre encontra um jeito de ser legalizado

 

Ana Cláudia
11:57 em 02/04/2010
Não lí este livro, mas cursei faculdade depois da abertura política e tive acesso a história do golpe de 1964 e suas consequencias. Precisamos manter a história viva pra que ela não se repita. Esta história é de arrepiar qualquer mulher que tenha alguma vontade a se opor...Obrigada por escrever. Espero que os que são bons nisso, nunca percam a coragem!!! Comentário por Ana Claudia

 

Serena (blog amazonia)
11:57 em 02/04/2010
Sou contra a tortura de qualquer espécie e nem estou justificando o que o torturadores fizeram, MAS, essas mulheres chamada pelo reporter de “heroinas” nada mais eram que terroristas - estavam portando armas - sequestrando pessoas - assaltando banco - e conspirando contra o sistema de governo - LUTAVAM PARA IMPLANTAR O COMUNISMO NOS MOLDES DE CUBA NO BRASIL.Elas não eram “mulheres comuns e não levavam uma vida comum”.Quem já ouviu falar da LEI DEAÇÃO E REAÇÃO.

 

Alê Barreto (blog amazonia)
11:56 em 02/04/2010
Quando queremos entender aonde chegamos, precisamos olhar para o lugar de onde viemos. A violência atual foi cultivada nestes macabros rituais de dominação afirmados por ideologias fascistas. Parabéns a todas as mulheres que tem coragem de em vida olharem para as atrocidades que passaram e lutarem contra estas tiranias. Parabéns ao José Bessa Freire pelo texto.

 

Kais Ismail
11:56 em 02/04/2010
O 10 PARA A CULTURA contará com o seu apoio? http://quemtemmedodolula.wordpress.com/2010/03/28/lula-a-cegueira-dos-tabloides-e-o-congresso-de-ibiuna/#comments

 

Miguel Angel
11:55 em 02/04/2010
CARO BESSA. belo artigo sobre uma questão tão terrível. vale como denúncia e tomada de consciência. parabéns. abcs. mikguel angel

 

ED RUGLES DE MELO BARBOSA
11:55 em 02/04/2010
PARABÉNS, POR NÃO NOS DEIXAR ESQUECER PÁGINAS TÃO TRISTES DA NOSSA HISTÓRIA.

 

Marcos Tom
11:54 em 02/04/2010
Tenho 52 anos, sou consultor empresarial, moro em SP. Me pergunto: onde andam os vermes que torturaram as pessoas? A anistia foi na verdade para eles, pois quem foi torturado não cometeu nenhum crime para ser anistiado. Em 2004 fui a Lavras(MG) num sítio à beira do rio Grande, lá havia um sujeito, policial na cidade. Lembro-me que ele comentou que esteve no Araguaia e falou do José Genoíno fiquei com a impressão que ele foi um dos elementos que pegou o Genoíno. Hoje eu imagino que esses caras es

 

Elson de Melo
11:53 em 02/04/2010
Infelizmente o governo não assume uma postura mais clara quanto aos crimes praticados contra a vida e a humanidade, pelo regime Militar. Então, sejamos nós que respeitamos a vida, que lutamos por liberdade, que temos sede de justiça. A GRITAR!

 

Joana D´Arc Fernandes
11:53 em 02/04/2010
1. Querido Bessa, acabei de ler a sua crônica. É linda, como não poderia ser diferente vinda de você. Grande parceiro nesta luta. Acrescento que, infelizmente, nem deveríamos pensar em \\\"Direito à memória\\\" uma vez que direitos tais como o direito à vida, à livre expressão, de ir e vir e muitos outros deveriam ser uma realidade tão clara e transparente como o direito de beber água, de respirar, de ler, de amar... São necessidades tácitas, inquestionáveis. No entanto, deixo aqui a minha indi

 

Joana D´Arc Fernandes Ferraz (2)
11:52 em 02/04/2010
2. em relação ao contundente fechamento dos arquivos da ditadura. Ainda não podemos pesquisar suficientemente todas essas atrocidades. Ainda não podemos lavar a roupa suja. Ainda não podemos nem sequer ter o direito de esquecer, porque muitos, muitas gerações ainda não sabem o que aconteceu. Somente poderemos escolher esquecer aquilo que algum dia for devidamente elaborado, discutido e digerido. Não podemos falar de \\\"direito à memória\\\" se ainda não temos a memória direito.

 

Joana D´Arc Fernandes Ferraz (3)
11:52 em 02/04/2010
3. Precisamos que o governo realmente seja transparente e coerente com a nossa memória e que, no lugar de tentar conciliar, efetive ações em que a memória, para além do discurso do \\\"direito\\\", seja viva. Somente assim poderemos ver o nosso passado e entender a fundo nossos erros, equívocos e iniqüidades. A minha geração e as gerações que vieram depois de mim precisam saber deste passado e elaborá-lo. Não é sem razão que nos últimos anos ]

 

Joana D´Arc Fernandes Ferraz (4)
11:51 em 02/04/2010
4. nos últimos anos muitas biografias e bibliografias sobre este período estejam surgindo. Essas mulheres hoje estão chegando nos seus 70 anos de vida e não vão morrer sem deixar muitos depoimentos. Elas precisam falar. Como cigarras, seus cantos, suas falas nos troncos das inúmeras árvores espalhadas pelas florestas, matas e campos brasileiros estão sendo ouvidas... Acredito que chegará um tempo em que faremos um grande coro, um coro de todas as cigarras

 

Joana D´Arc Fernandes Ferraz (5)
11:51 em 02/04/2010
e incomodaremos aqueles que teimam em nos esquecer. Mas, neste momento, diferente das cigarras, não cantaremos para morrer, cantaremos para louvar e festejar um novo momento em nosso país. Um momento sem cinismo, onde não se falarão mais no \\\"direito à memória\\\" e nem sobre direito a nada. O discurso do Direito já carrega em si o discurso da perda. Se exige o que se perdeu. Cantaremos somente a vida e a possibilidade de verdadeiramente sonhar. Um grande beijo, Joana

 

Paulo Bezerra
11:48 em 02/04/2010
E aí tem gente como Sen. Arthur Virgílio e outros q se põem contra o PNDH3-Programa Nacional dos Direitos Humanos, sob a alegação de q mexer no passado e colocar em risco a democracia. Ele pensa deste modo pq quando essas atrocidades aconteciam ele estava no \"bem-bom\" do Itamaraty e não teve nenhuma amiga ou parente torturada.

 

Tereza
14:04 em 01/04/2010
Fiquei sem chão... isso acontece todas as vezes que leio a respeito do terror vivido por tantas pessoas, especialmente mulheres... Isso cada vez mais me faz pensar no passado e mais uma vez, agradecer a todas e todos que passaram tudo que passaram para que hoje, tenhamos o direito de nos expressar, sem medo desse fantasma terrível que assombrou e destruiu a vida de tantas mulheres, mas que resistiram, e hoje são figuras vivas de um tempo que nunca deveria ter existido.

 

 

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