Manaus;

Pouco se sabia sobre o Jaú. Diziam que a mãe dele, uma tacacazeira, havia morrido de colapso. Naquela época, ainda se morria de colapso. Ou derrame. Diziam que, em vida, ela alimentava o filho diariamente com ovos de tracajá. Mas ele nunca confirmou. Não podia confirmar...

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. Um dia - ploft! - ele bate as botas. Nesse dia, o Tuta, chorando a morte do irmão, entra no hospital e pergunta: - “Ele morreu de quê, doutor?”. O médico sentencia: - “De Aparecida!”. Tuta se espanta: “De Aparecida?” O homem vestido de branco confirma: “É. A causa mor...

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.Naquele domingo de setembro, fazia um calor infernal. A casa da rua 3, na Cohab-Am do Parque Dez, era um forno micro-ondas. A família inteira estava socada no quarto vendo televisão, em volta do único ventilador, cujo barulho dava a impressão de que ia levantar vôo. Se...

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O carro-de-som desceu a avenida Eduardo Ribeiro, bem devagar, mas com o volume do alto-falante ligado ao máximo. A voz do locutor, cavernosa e metálica, mastigava cada sílaba, saboreava cada palavra, anunciando a boa nova aos quatro ventos, com muitos pontos de exclamaç...

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  De longe, eu te avistei, meu maninho, meu irmão, com tua boca desdentada, teu ar subnutrido e tuas sandálias havaianas, caminhando pelas ruas da Compensa I nesta segunda-feira, ao lado do candidato a prefeito, Amazonino Mendes. Observei quando um grupo de moradores, d...

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.Estou há uma semana no interior de Santa Catarina, convivendo com índios guarani Mbyá e Nhandeva, num curso de formação de professores indígenas. Tento entender os mistérios da vida, com a ajuda de Tupã Werá, um sábio de 93 anos, da aldeia M´Biguaçu. Faz frio. Não leio...

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.. - Eles podem matar uma, duas, três rosas, mas não conseguirão deter a primavera. As rosas foram todas despetaladas. O jardim saqueado. A prima Vera, detida pelo Klinger Costa quando abastecia seu carro no Posto Equatorial da Cachoeirinha. Apesar disso, continuamos...

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.O livro “O complexo da Amazônia”, de Djalma Batista (1976 – Editora Conquista) tornou-se uma espécie de “bíblia”para todos aqueles estudiosos interessados em entender a Amazônia.Nele, o autor sistematizou conhecimentos produzidos em diversas áreas do saber e, generosam...

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   “Já doente há quase um ano, quando sentiu que era o fim, se preparou. E preparada, esperou tranquilamente a hora. Chamou Maria Celina – afilhada e filha de criação – e se arrumou, trocou a roupa, após ter tomado um banho. Pediu o vestido que ela mesma havia escolhido...

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."Xerxes e Zulmira leem juntos". Esta frase ocupava a última página dos antigos cadernos de caligrafia e era copiada exaustivamente pelos alunos, às vezes como castigo, com o objetivo de treiná-los a escrever, no caso, as letras "x" e "z". No canto superior da página, a...

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Numa prova de inteligência e sagacidade, os aviões de combate não foram utilizados para bombardear a primeira e a segunda ponte da rua Sete de Setembro, com a finalidade de impedir que o "inimigo" alcançasse o seu objetivo: o Palácio Rio Negro. Apenas um discreto helicó...

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  Quinta feira, 22 de abril. Oito horas da manhã. Toca o telefone. Atendo. Ligação interurbana. É de Manaus. A voz de alguém que não conheço geme, angustiada, do outro lado da linha, pedindo socorro: - Estou agorinha presenciando um assassinato daqui da janela da minh...

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No início da década de 1960, no Colégio Estadual do Amazonas, todos nós, alunos, queríamos ter a sabedoria do Manoel Octávio, o domínio de palco do Manoel Octávio, a fluência verbal e a elegância do Manoel Octávio. Enfim, todos nós queríamos SER Manoel Octávio, aceitand...

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Aqui se cruzam: este é o rio Negro, aquele é o Solimões! Imagina, Maria, que suas águas se misturam, imagina que não existe - que nunca existiu - o espetáculo esplêndido e singular conhecido no mundo inteiro como “encontro das águas”, que nelas não vivem botos e peixes ...

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  Quem foi Pierre Pirroque? Poucos sabem. Nem sequer os seus colegas de trabalho - Braguinha e Euclides, o Bunda-de-Aço - ligavam o nome à pessoa. Se o seu Henrique, que era seu Henrique, chefe dos bedéis no Colégio Estadual do Amazonas, ignorava que tinha um subordinad...

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Supunhetemos, com todo o respeito, que o prefeito de Manaus, Amazonino Mendes (PTB-vixe,vixe), solte um pum, depois de ingerir duas cuias de tacacá apimentado. Sei que parece inusitado, mas foi isso mesmo que você ouviu: um pum! É. É isso mesmo! Acontece. Com as mel...

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Dizem que minutos antes de morrer a gente vê um filme com os melhores momentos da vida.

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Tinha 87 anos, 60 dos quais dedicados ao jornalismo esportivo. Despediu-se há duas semanas, deixando na orfandade uma legião de leitores fiéis que o seguiam, com fidelidade canina, a cada domingo, religiosamente, como quem vai a missa. Abríamos sempre o jornal no cadern...

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Desocupado leitor, eis aqui a saga heroica de um tripeiro que salvou um bucheiro, uma criança que se afogava no rio Negro, mergulhando em suas águas profundas, com risco da própria vida. Bucheiro, em "amazonês", é quem nasce em São Raimundo, bairro que sedia o Matadouro...

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- Que horror, Babá, que horror! Djalma Batista, o filho, com as duas mãos empalmadas encobrindo o rosto, repetia muitas vezes a frase, prolongando os erres, como se isso pudesse potencializar o horrrorrr. Foi numa discussão apaixonada em 1964, no Colégio Estadual do Ama...

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Familiares, alunos e amigos o estão pressionando para se candidatar a vereador. Criei até o slogan da campanha: "Acorde, vote em Totode". Ou um mais ousado: "Não phode, vota em Totode". Isso caso ele decida assumir o apelido de infância adquirido em circunstâncias que r...

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Marcelo militava no PCdoB quando presidiu o Centro Acadêmico de Direito da Universidade Federal do Amazonas. Era um bom menino, não fazia xixi na cama. Depois, em 2004, foi eleito suplente de vereador em Manaus. Tinha, então, 31 anos. Sua combatividade nos enchia de esp...

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Arrumo gavetas cheias de papéis velhos, agora, em Niterói. Encontro um passaporte carimbado que me faz lembrar o verão de 1981 em Moscou. Foi lá, no banheiro do hotel Nikolskaya, perto da Praça Vermelha, que usei um sabonete russo nas abluções matinais. Quando lavei o r...

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